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Edição #20 - Janeiro 2015

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Sobre o Diálogo

Muito do que estaremos examinando aqui, neste breve artigo, vem da concep­ção e da metodologia de diálogo elabora­das pelo físico quântico e colaborador de Einstein, David Bohm, inspirado em ideias e encontros que teve com Krishnamurti, o grande sábio indiano que viveu boa parte da vida ensinando sobre a libertação do homem e que faleceu em 1986.

A palavra Diálogo é de uso corrente; já a usamos muitas e muitas vezes na vida, quando queremos nos referir a uma situação em que pelo menos duas pessoas entram num tipo de conversação em que de fato há uma troca entre elas. Fala­mos em “diálogo amoroso”, por exemplo. Mas a ideia de que diálogo é algo que aconteça entre duas pessoas é imprecisa, embora pareça sustentada pelo prefixo dia, da palavra diálogo. Entretanto, dia, em grego, não quer dizer dois, mas sim através de. E logos quer dizer sentido, palavra. Assim, o significado etimológico preciso da palavra diálogo é: quando um significa­do perpassa, passa através de alguém ou de um grupo.

Dessa maneira, a situação de diálogo está essencialmente ligada ao compartilhamento. Mais exatamente, ligada ao compartilhamento de signifi­cado: quando podemos com­partilhar experiências e o que elas dizem para nós, quando falamos e os outros compreen­dem, e não somente escutam, quando sentimos que se forma uma espécie de “pensar ou agir grupal”, estamos em uma situ­ação de diálogo. Podemos tam­bém entrar em diálogo com nós mesmos, quando uma situação evoca diferentes sentimentos ou reações e é preciso incluí-las todas num todo que possamos aprender. Não é essencial, é importante reparar que nesse compartilhamento haja con­cordância, ou consenso; o com­partilhamento está mais ligado à participação, ao escutar o outro e dar-lhe espaço, do que concordar com ele. Mas volta­remos um pouco mais tarde a isto. Apenas achei importante mencionar esse aspecto aqui para que não se pense que no di­álogo há uma situação de conflu­ência (todos pensando igual), de uniformização do pensamento.

O diálogo é o oposto da discus­são. A palavra discussão, assim como a palavra debate, tem a mesma raiz que percussão, concussão: quebrar. Quando discuti­mos, num grupo, há disputa entre significados, para ver o que preva­lece – não se busca chegar a uma compreensão maior. Muitas vezes, numa discussão, vence o mais vio­lento, ou o mais astucioso, e não o melhor ou mais profundo. No en­tanto, embora dito dessa maneira, possa parecer que a discussão é um processo negativo, ou ao me­nos mais negativo do que o do di­álogo, isso não é sempre verdade. Para certos procedimentos, bem como tomadas de decisão, é pre­ciso encontrar a melhor solução, e é possível que ela exclua com­pletamente outras alternativas. É o caso, por exemplo, de decidir se uma pessoa que se acidentou deve ou não ser levada ao pronto­-socorro; se alguém tem crenças a respeito de isto ser bom ou não, sobre se é importante este ou aquele tipo de medicina, etc. É es­sencial oferecer todo o cuidado possível à pessoa, e isso exclui outras considerações filosóficas ou crenças.

Mas dialogar é completamente diferente de debater. Quando há um diálogo, ninguém quer vencer. Este não é o objetivo. Quando um erra, todos aprendem; quando um acerta, todos ganham. O protago­nista, aquele que tem o papel prin­cipal no conflito, é tomado exata­mente como aquele que expressa um conflito que não é só dele: é do homem, do ser humano, daquele grupo. Se ele o expressa bem, en­tão todos podemos buscar, juntos, uma possível solução, ou, se isso for impossível, passar juntos pelas difi­culdades do momento. Quando um grupo entra em clima de discus­são, a não ser que ela seja necessá­ria como ferramenta, o que se quer é bater contra o outro, derrotá-lo, prevalecer sobre ou quase sem­pre, sem apreciar adequadamente os méritos da questão. Discussões muitas vezes não são mais do que palco para a disputa pessoal, pela briga pelo poder.

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