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Edição #76 - Setembro 2019

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Você conhece Coach Ético?

Eu conheço Coaches Éticos e você?

Ética. "Palavra substantiva feminina que representa o segmento da filosofia dedicado à análise das razões que ocasionam, alteram ou orientam a maneira de agir do ser humano, geralmente tendo em conta seus valores morais. Por extensão, é uma reunião das normas de valor moral presentes numa pessoa, sociedade ou grupo social, por exemplo: ética parlamentar; ética médica. Sua etimologia (origem da palavra ética) vem do latim ethica ou também do grego éthikós." Assim está no dicionário on line.

Valores morais, "geralmente tidos em conta" são aprendidos no meio em que nos desenvolvemos, variam de acordo com a cultura e o momento histórico em que nos encontramos. O mercado de trabalho e as relações que nele se estabelecem refletem esse contexto.

Não parece ser o caso de fazer uma análise histórica dos significados da Ética e do trabalho de nosso país, para contextualizar o que acontece hoje nas práticas profissionais, mas sim de se olhar para o cenário atual e como ele promove o debate sobre a profissão do Coach e a Ética praticada em seu mercado.

De uma forma geral o que observamos agora está associado a uma economia estagnada, agravada por um ambiente de insegurança jurídica e política, que afasta investimentos e liquida o emprego. É evidente também que os indicadores de saúde, saneamento, educação, cultura e segurança estão retroagindo, reforçando a sensação de desamparo e descrença. As relações de trabalho, os processos de geração, comercialização e distribuição de valor que sentem a transformação ditada pelo avanço tecnológico, afetam diretamente a empregabilidade e a sustentabilidade dos negócios. Para completar o cenário, o acesso a tudo e a todos por meio de mídias e redes digitais, confunde as pessoas sobre o que é verdadeiro ou falso (fake). Tudo isso num país em que a corrupção está naturalizada e é praticada em todos estratos sociais, segundo os historiadores, desde o descobrimento.

"Natural" portanto, que a Ética praticada no mercado de coaching, assim como em todos segmentos de mercado, seja questionada.

No caso do Coaching há um agravante: a profissão não é regulamentada. Regulamentar uma profissão significa reconhecer que ela configura um conjunto de saberes e práticas para as quais as pessoas precisam de uma formação acadêmica, reconhecida por órgãos governamentais de educação e do trabalho. Também significa que, ao oferecer seus serviços ao mercado, os profissionais concordam em seguir um código de ética da profissão e serem fiscalizados periodicamente para verificação de sua idoneidade.

Seria o Coaching "apenas" uma das formas de apoiar o desenvolvimento das pessoas, tornando-o uma especialização de cursos de psicologia, da pedagogia, da administração entre outras disciplinas? Ou seria o Coaching uma nova ciência, com um conjunto de saberes que podem ser de interesse das demais disciplinas? Nos deparamos aqui com um agravante adicional: a competição entre escolas e associações de coaches, que clamam para si a expertise sobre o tema. Nesse cenário, a falta de um debate entre os "experts" e com profissões já regulamentadas, que tangenciam e incorporam algumas práticas de Coaching, enfraquece a construção de uma proposta de regulamentação robusta e independente. É preciso que a "classe" lidere o tema, organizando representantes de diversas escolas e associações de Coaching, assim como das escolas e associações das demais classes profissionais que tenham interesse na moralização do mercado.

Nesse momento, inclusive, há uma proposta de lei que criminaliza a prática antiética na fila do congresso nacional para ser apreciada. Já houve outras que não evoluíram.

O debate nem começou e talvez não seja levado a cabo tão cedo, porque há pautas mais urgentes para o país retomar seu desenvolvimento. São muitas as reformas que já deveriam ter sido endereçadas anos atrás. Neste contexto, o pragmatismo pode ajudar fazendo com que o debate sobre a Ética do Coach seja uma extensão do debate sobre a ética praticada nas demais profissões.

Em todos os mercados, independentemente da regulamentação, existem pessoas que realizam práticas antiéticas. Prometer benefícios impossíveis, prazos inviáveis, solução para qualquer tipo de problema é antiético e é crime, mesmo que o suposto profissional seja de uma categoria regulamentada. A legislação já protege os cidadãos dos crimes praticados pelos maus profissionais, ou seja, quem se sentir lesado pode e deve processar, desde que reúna evidências ou provas. Ganhar uma causa, reunindo evidências e provas, é um desafio, leva tempo, mas não é impossível.

Por outro lado, a ignorância sobre o serviço contratado, que muitas vezes sequer é registrado por um simples acordo de sua prestação (uma das possíveis provas), contribui para a proliferação de maus profissionais. Além da ignorância e imediatismo, negligência e autoengano, típicos do consumo deste momento histórico, são fatores que multiplicam a venda de soluções milagrosas de curto prazo. Observamos, portanto, um cidadão vulnerável, por vezes vítima, mas convenhamos que nem sempre é esse o caso.

Regulamentar é importante? Sim. Ajuda a criar parâmetros, facilita a promoção de uma prática Ética, sem dúvida. No entanto, enquanto a regulamentação não se concretiza, Coaches e clientes podem se utilizar de recursos que já existem para se defenderem do crime em questão.

A Ética do Coach pode ser observada na clareza que informa os valores cobrados, os papeis e responsabilidades na contratação e na realização do processo, a forma como atua com possíveis conflitos de interesse e também como trata a privacidade e a confidencialidade dos temas abordados, como respeita e não julga quem o cliente foi, é ou deseja ser. Cada ato do Coach deveria traduzir uma prática ética, inclusive reconhecer que pode não ser o melhor profissional ou que o processo de coaching não é o que o cliente precisa, encaminhando o caso para outro profissional.

A Ética do cliente pode ser observada quando ele procura informações sobre o que é o processo, para entender se ele se aplica à sua necessidade. O cliente Ético também fica evidente quando busca conhecer quem é o Coach, qual sua formação e experiência, inclusive conversando com clientes que já realizaram processos com quem pensa em contratar. Quando o cliente solicita uma proposta comercial e se preocupa em verificar como o Coach lida com os pontos acima descritos, aumentam consideravelmente as chances de estarmos diante de um cliente Ético.

Rafael Echeverría, sociólogo, doutor em filosofia e um dos criadores da prática de coaching ontológico, afirmou que " (precisamos) reconhecer que a crise mais profunda encarada hoje pela humanidade e, de maneira particular, na cultura ocidental é uma crise no âmbito da ética..." em outro trecho ele decretou "não atuamos somente de acordo com o que somos, mas também somos de acordo como atuamos..." O Coach Ético, atua com clientes igualmente Éticos, o Coach que busca ser Ético atua com clientes que buscam ser Éticos e assim o fazendo, criam um círculo virtuoso que pode responder a este momento de crise.

Já os demais viram piada, porque criminosos provavelmente já são.

Artigo publicado em 02/09/2019
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