revista-coaching-brasil-logo-1 icon-bloqueado icon-busca icon-edicoes icon-login arrow-down-sign-to-navigate

Edição #48 - Maio 2017

Localize rapidamente o conteúdo desejado

A Visão que cega. Que redoma é essa?

Pensei em refletir com vocês sobre a redoma e o casulo em que vivemos e a miopia ou cegueira que trazemos para nossas vidas, enquanto lia um artigo da Revista HBR e uma reportagem do Linkedin.

O artigo de Hal Gregersen na revista Harvard Business Review de março com o título: “O Estouro da Bolha do CEO - por que os executivos devem falar menos e perguntar mais”. Nele, Hal destaca como o poder e os privilégios isolam os altos executivos de informações que possam desafiar suas crenças e hipóteses e permitir que você abra a mente e a visão para novas oportunidades.

Hal afirma que “se você é líder, pode se colocar num casulo – no casulo das boas notícias ... todos lhe dizem que está tudo bem – não há problemas. E no dia seguinte, está tudo errado”.

Absolutamente prejudicial numa era de tamanha complexidade, volatilidade e incerteza, quando os mercados e o mundo mudam rapidamente. A bolha em que nos colocamos obstrui nossa capacidade de olhar para fora e para frente e perdemos a capacidade de identificar os primeiros sinais de uma mudança radical que desponta.

A segunda reflexão veio da reportagem do Linkedin, que apresentava a tristeza que o CEO da Nokia sentiu durante a coletiva de imprensa quando anunciava a compra da Nokia pela Microsoft afirmando: “Nós não fizemos nada de errado, mas de alguma forma, perdemos”.

Apesar de ser uma empresa rentável e ter feito tudo certo, esqueceram de aprender e perderam a mudança. Aqui, de novo, nos deparamos com o que Hal constatou – a bolha do CEO o isolou e evitou que ele olhasse para frente e para o futuro.

O casulo, a bolha e miopia, não são riscos somente para CEOs ou líderes, eles afetam a todos nós. É muito fácil cairmos nessa armadilha. Lembre-se que a vantagem que você tinha ontem e tem hoje, pode ser rapidamente substituída amanhã. Você não tem que fazer nada errado, desde que seus concorrentes estejam atentos e peguem a onda da tendência e façam corretamente, antes de você.

O filtro das informações que nos é apresentado, fruto dos mesmos veículos e canais que lemos, a arrogância da liderança de mercado, a convivência com pessoas iguais e a ausência de diversidade, os vários níveis hierárquicos dentro da organização e o sentimento de conforto são algumas das ciladas.

Para mudar, é preciso sairmos da zona de conforto, experimentarmos o desconforto, aprendermos a melhorar a nós mesmos sempre.

Arrisque, erre e se dê muitas chances de se renovar. É importante aprender sempre. Aprender significa ter consciência das nossas forças e fraquezas para não nos enganarmos com o efeito perverso que ela traz – ego. Como escreveu certa vez Joseph Campbell, “o seu tesouro está onde você tropeça. A caverna que lhe dá medo de entrar se torna a fonte do que você procura”.

Precisamos deixar nossas certezas de lado, desafiar nossas verdades, nos expormos diante da maior variedade de grupos e pessoas e ouvir muito. Segundo Hal, uma das qualidades mais impressionantes de Guy Laliberté, cofundador do Cirque du Soleil, é que quando alguém expressa uma ideia maluca ele o incita a falar mais, dizendo: “ok, continue, não tenho certeza disso, mas continue”.

Precisamos aprender a ser como o surfista que se coloca além das ondas e aguarda pacientemente os movimentos e tendências do mar, do mercado e do ambiente para só então se colocar na onda e seguir adiante. 

Em um mundo que se transforma a todo instante precisamos:

  • Estar sempre com a mente aberta, ouvindo e observando a todos e a tudo.
  • Dialogar sempre.
  • Analisar a situação de várias perspectivas e se não conseguirmos, peçamos para pessoas diferentes falarem e compartilharem suas perspectivas.
  • Ampliar o campo de visão, investigando e fazendo muitas perguntas. Perguntar é mais sábio que afirmar.

#ficaadica


http://hbrbr.uol.com.br/o-estouro-da-bolha-do-ceo/ https://www.linkedin.com/pulse/o-ceo-da-nokia-concluiu-seu-discurso-dizendo-isso-nós-freitas?trk=v-feed&lipi=urn%3Ali%3Apage%3Ad_flagship3_search_srp_content%3B4R%2Bif%2F8%2BSZishYHaXUfFkQ%3D%3D

Artigo publicado em 23/10/2017
Gostou deste artigo? Confira estes da mesma coluna:

Informação boa em mãos erradas, dá ruim....

Estamos bem acostumados com as tentativas dos países mais desenvolvidos, ou simplesmente poderosos economicamente, em tentar impedir que outros, menos desenvolvidos ou simplesmente mais pobres, ou ainda com regimes “autoritários”, tenham acesso a tecnologia que lhes permita a construção de bombas atômicas. O mesmo acontece com a ideia de restringir o porte de arma, pois uma arma nas... leia mais

3 minutos

Abrir mão exige coragem e responsabilidade

Desde pequenos ouvimos a frase: “não se pode ter tudo na vida”. Diferentes contextos podem trazer interpretações bem diferentes para a mesma frase. Aqui, quero me ater ao teor mais simples e direto: quando escolhemos algo estamos renunciando a todas as outras possibilidades. Desfrutar da praia implica em não estar na montanha. No esquema clássico, trabalhar na empresa “A” implica em... leia mais

4 minutos

Os planos inúteis

Recentemente, na tentativa de planear as minhas atividades, lembrei-me das famosas palavras de (diz-se), Dwight D. Eisenhower: “Antes da batalha, o planeamento é tudo. Assim que começa o tiroteio, os planos são inúteis”. Ou, consoante outras fontes, “Planear é essencial, mas os planos são inúteis”. Seja qual for a forma correta da frase, a ideia, aparentemente um paradoxo, é... leia mais

4 minutos

Sim ou não?

Recebi, na semana passada um “não”, uma resposta inesperada à uma proposta de parceria que eu achava que era irrecusável. Nos primeiros momentos fiquei desapontado, um pouco triste. Fechava-se uma porta e o meu desapontamento era diretamente proporcional com a minha imensa paixão pelo assunto. Mas, depois, não sei de onde, surgiram as perguntas. Será que esta pessoa é, na verdade,... leia mais

4 minutos

Sonhando com a neve

À Eurídice. “Meu sonho é um dia ver neve. Tocar, cheirar e brincar nela.” Recebi esta mensagem de uma amiga que vive na África e tive uma sensação interessante, um pouco estranha, que me fez pensar. Nós, aqui, neste canto da Europa, descobrimos a neve desde crianças. A neve pesada, húmida ou a neve leve, que mesmo um sopro a... leia mais

5 minutos
O melhor conteúdo sobre Coaching em língua Portuguesa
a um clique do seu cerébro
Seja Premium