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Edição #160 - Agosto 2012

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Editorial - Ed. 160 - Regulação Emocional

Querida amiga, querido amigo da Revista Coaching Brasil.

Há temas que chegam até nós porque os procuramos, e há aqueles que chegam porque alguém bate à nossa porta trazendo uma pergunta, uma inquietação ou uma possibilidade que, de algum modo, já estava esperando para ser acolhida. O tema desta edição pertence à segunda categoria. Foi a Marta Magnus e a Ana Paula Schmitz que me procuraram com a ideia de fazermos um dossiê sobre Regulação Emocional.

Cabe lembrar que Marta já havia me procurado, de sopetão, em 2021, propondo um dossiê sobre Liderança Generativa. Convido você a conhecer nossa edição 93. Já em 2025, Marta e Ana Paula, acompanhadas ainda por Edson Matsuo, propuseram um dossiê que considero uma das maiores pérolas destes 13 anos da Revista: “A Revolução da Suficiência”, discutindo o que mais existe ao redor do binômio Abundância e Escassez. Vale a pena conhecer também a edição 144.

Voltando ao tema desta edição, a partir das nossas primeiras conversas, combinamos que dedicaríamos dois dossiês ao assunto. Entretanto, à medida que as contribuições começaram a chegar, fomos percebendo a riqueza extraordinária do material que estava sendo reunido e a quantidade de possibilidades que aquele tema abria para profissionais que trabalham com desenvolvimento humano. Assim, decidimos fazer três dossiês, permitindo que o assunto pudesse ser explorado com a profundidade que merece e, principalmente, dando às pessoas o tempo necessário para aquilo que considero essencial quando encontramos conteúdos verdadeiramente transformadores: tempo para mastigar, processar e digerir.

Em tempos de excesso de informação, propor este movimento “slow” é muito coerente com nossa forma de ser e agir e, ao mesmo tempo, bastante significativo para o nosso leitor, que se permite dedicar tempo de qualidade a um tema tão essencial.

E talvez você esteja se perguntando por que dedicar tanto espaço às emoções. Afinal, falamos delas o tempo todo, convivemos com elas desde o primeiro instante de nossas vidas e, de uma maneira ou de outra, elas estão presentes em praticamente tudo o que fazemos. Tomamos decisões, estabelecemos relacionamentos, lideramos pessoas, enfrentamos conflitos, escolhemos caminhos, reagimos às circunstâncias, cuidamos de quem amamos e construímos nossas histórias atravessados por emoções.

E aqui aparece um paradoxo que me parece merecer nossa mais profunda atenção: nascemos emocionais, crescemos emocionais e vivemos emocionalmente, mas atravessamos grande parte da vida sem nunca termos sido alfabetizados emocionalmente.

Costumo brincar, em minhas palestras e workshops quando abordo emoções, que existem apenas quatro estados emocionais básicos, que todos conhecem. Aí continuo explicando que eles são:

1. Tô bem...

2. Tô mal...

3. Tô mais ou menos...

4. Não sei...

A brincadeira costuma provocar risos, mas talvez contenha uma verdade bastante séria. Aprendemos a ler e escrever, aprendemos matemática, história, geografia, ciências, aprendemos uma profissão, aprendemos a utilizar tecnologias cada vez mais sofisticadas e agora aprendemos até a conversar com Inteligências Artificiais, mas quem nos ensinou a reconhecer a diferença entre medo, apreensão, vergonha, frustração, ressentimento, luto, impotência, ansiedade ou decepção? Quem nos ensinou a perceber o que uma emoção está tentando nos dizer? Quem nos ensinou que sentir uma emoção não significa necessariamente precisar agir a partir dela? Quem nos mostrou que existe um espaço entre aquilo que sentimos e aquilo que fazemos, e que talvez seja justamente nesse espaço que resida uma das maiores expressões da nossa liberdade?

É esse território que Marta e Ana Paula, nos apresentam Dan Newby e Marcel Brunel, sistematizadores da metodologia apresentada nesse dossiê, e fazem isso de uma maneira particularmente poderosa porque não partem apenas de conceitos, modelos ou teorias, mas de suas próprias histórias, mostrando como diferentes trajetórias podem chegar a uma mesma descoberta: existe um mundo interior que influencia profundamente aquilo que acontece no mundo exterior.

Talvez seja suficiente, neste editorial, deixar apenas essa porta entreaberta. A apresentação do dossiê e seus artigos cuidarão de conduzir você por esse universo com a profundidade que ele merece. O que gostaria de destacar aqui é que essa conversa sobre emoções não está isolada dentro desta edição. Ela dialoga, de maneira muito interessante, com diversos dos outros conteúdos que você encontrará nas próximas páginas.

João Machado, na coluna do GEC, nos convida a refletir sobre a relação entre Inteligência Artificial, intuição, inspiração, sincronicidade e desenvolvimento humano, lembrando que, quanto mais a tecnologia amplia nossa capacidade de processar informações, mais importante se torna aquilo que continua dependendo da consciência humana: interpretar contextos, atribuir significado, considerar valores, perceber nuances, exercer discernimento e tomar decisões responsáveis.

Carlla Zanna nos conduz a um território ainda mais delicado ao tratar da neurodiversidade e da prevenção do suicídio nas organizações, mostrando que o sofrimento nem sempre chega acompanhado de um pedido explícito de ajuda e que uma liderança verdadeiramente humana precisa desenvolver a capacidade de perceber mudanças, escutar além do que é dito e criar condições para que diferentes pessoas encontrem portas distintas de entrada para o cuidado.

Thierry Cintra Marcondes coloca a economia do cuidado dentro da sala de reunião, mostrando como o envelhecimento da população, a responsabilidade de cuidar de familiares e a chamada geração sanduíche já fazem parte da realidade de muitas pessoas que estão na folha de pagamento das organizações, tornando o cuidado uma questão estratégica de retenção, produtividade, saúde e sustentabilidade humana.

E Robson Santarém, por meio de mais uma história aparentemente simples, nos lembra do preço que podemos pagar quando permitimos que decisões tomadas no calor do ódio ou da dor determinem nossos próximos passos.

Perceba como, embora os assuntos sejam diferentes, existe um fio condutor ligando tudo isso: o ser humano.

A tecnologia pode mudar, as profissões podem mudar, os modelos de negócio podem mudar, as organizações podem mudar, as relações de trabalho podem mudar, mas continuamos sendo seres humanos que sentem, interpretam, escolhem, se relacionam, sofrem, cuidam, aprendem e buscam significado. E talvez este seja um dos maiores desafios do nosso tempo: estamos desenvolvendo ferramentas cada vez mais poderosas para ampliar nossa capacidade de fazer, enquanto ainda temos muito a desenvolver na capacidade de compreender quem somos enquanto fazemos.

Por mais tecnologia que as empresas adotem, o ser humano continua sendo o elo mais sensível e vital de qualquer organização. É nele, e nas relações que estabelece com outras pessoas, lideranças e equipes, que estão algumas das maiores riquezas e potencialidades de uma organização, assim como a fonte de muitos de seus maiores desafios. Por isso, quando falamos de liderança, cultura, desempenho, segurança psicológica, diversidade, cuidado, inovação ou Inteligência Artificial, estamos falando, em última instância, de pessoas e das experiências humanas que acontecem por trás dos comportamentos que conseguimos observar.

É por isso também que decidimos não correr com este tema. Vivemos em uma época que nos acostumou a consumir informação em velocidade cada vez maior, mas informação não é necessariamente conhecimento, e conhecimento também não é necessariamente transformação. Algumas ideias precisam permanecer conosco durante algum tempo, precisam ser revisitadas, confrontadas com nossas experiências, levadas para uma conversa, experimentadas no cotidiano e, quem sabe, até provocar algum desconforto antes de se transformar em compreensão.

Regulação Emocional é um desses assuntos.

Por isso, meu convite para você nesta edição é simples: não tenha pressa. Leia, pare, reflita, volte a uma passagem, observe o que acontece dentro de você enquanto lê. Talvez alguma história lhe seja familiar. Talvez alguma emoção que você costuma chamar simplesmente de “estresse” ganhe outro nome. Talvez você reconheça em determinada reação sua algo que nunca havia percebido. Talvez descubra que uma emoção que aprendeu a rejeitar estava, na verdade, tentando cuidar de alguma coisa que importa profundamente para você.

Acredito que uma das maiores contribuições que podemos oferecer a nós mesmos, às pessoas que amamos, às nossas equipes e às organizações das quais fazemos parte seja justamente essa: desenvolver a capacidade de enxergar um pouco melhor aquilo que antes permanecia invisível. Porque, quando conseguimos perceber, podemos nomear; quando conseguimos nomear, podemos compreender; quando compreendemos, ampliamos nossas possibilidades; e quando ampliamos nossas possibilidades, recuperamos algo precioso que nenhuma tecnologia poderá fazer por nós: a liberdade de escolher como queremos viver e como queremos responder à vida.

Que esta seja, portanto, uma leitura suave, profunda e, sobretudo, transformadora. Temos três dossiês pela frente, e fizemos questão de que houvesse espaço para que você pudesse caminhar por eles sem a pressa de quem simplesmente quer chegar ao fim. Afinal, talvez o verdadeiro valor de uma boa leitura não esteja na quantidade de páginas que conseguimos percorrer, mas na quantidade de coisas que, depois dela, conseguimos enxergar de maneira diferente.

 

Boa leitura, querida amiga, querido amigo.

 

E que possamos, juntos, aprender um pouco mais sobre esse extraordinário universo que nos acompanha desde o nascimento e que, apesar de tão presente, ainda estamos apenas começando a conhecer:

nós mesmos.

 

Com meu abraço fraterno,

 

Luciano Lannes

Editor da Revista Coaching Brasil

Artigo publicado em 31/08/2026
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