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Edição #158 - Julho 2026

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A virtude esquecida: sem curiosidade não existe presença

Por que uma boa pergunta pode nos tornar mais l cidos do que um conjunto de respostas prontas Nos dois primeiros artigos deste dossi refletimos sobre duas caracter sticas marcantes do nosso tempo A primeira delas foi a velocidade com que somos levados a reagir aos acontecimentos quase sempre antes que tenhamos compreendido suficientemente aquilo que est diante de n s A segunda foi a dificuldade de permanecer no momento presente j que nossa mente parece oscilar continuamente entre lembran as do passado e antecipa es do futuro alimentando preocupa es expectativas e ansiedade Talvez seja natural portanto que surja agora uma nova pergunta Se compreendemos por que perdemos a presen a e reconhecemos os mecanismos que nos afastam dela como podemos recuper -la Ou formulando a quest o de outra maneira como conseguimos permanecer verdadeiramente presentes em um mundo que disputa nossa aten o a cada instante A resposta parece simples Permanecer no agora Mas ser mesmo t o simples Experimente fazer um pequeno exerc cio enquanto l este artigo Observe quantas vezes sua mente abandona estas p ginas para lembrar uma tarefa pendente imaginar uma conversa que ainda acontecer ou antecipar algum compromisso do restante do dia Enquanto conversamos com algu m nossa mente costuma preparar a pr xima resposta Enquanto lemos um livro frequentemente j estamos pensando no cap tulo seguinte ou no celular que vibrou sobre a mesa Ser que somos realmente incapazes de permanecer presentes Ou apenas desaprendemos a faz -lo Talvez a explica o esteja menos na nossa falta de disciplina e mais na forma como o c rebro humano evoluiu ao longo de milhares de anos Nossa mente foi constru da para identificar riscos procurar padr es antecipar cen rios e preencher rapidamente aquilo que ainda desconhece Em boa parte da hist ria da humanidade essa capacidade foi essencial para a sobreviv ncia O problema que ela continua funcionando mesmo quando n o existe qualquer amea a real levando-nos a preencher lacunas com interpreta es precipitadas julgamentos autom ticos e respostas que raramente passaram pelo crivo da reflex o Isso nos conduz a uma possibilidade interessante E se a presen a n o depender apenas de t cnicas para controlar a aten o E se existir um caminho mais natural para trazer a mente de volta ao presente Tenho a impress o de que esse caminho passa por uma virtude que curiosamente parece ter perdido espa o na vida adulta a curiosidade O espa o do n o saber Na edi o da Revista Coaching Brasil Mantendo a Presen a no dia a dia Rachel Jussara Vianna escreveu sobre uma das compet ncias essenciais definidas pela International Coaching Federation a compet ncia Mant m Presen a Entre os diversos indicadores dessa compet ncia existe um que sempre me chamou particularmente a aten o O profissional convidado a sentir-se confort vel em trabalhar em um espa o de n o saber Tomo a liberdade de acrescentar mais um Cria ou permite espa o para sil ncio pausa ou reflex o Vale a pena permanecer alguns instantes diante dessas ideias Durante muito tempo fomos educados para acreditar que compet ncia significava possuir respostas Nas organiza es admiramos quem responde rapidamente quem demonstra seguran a diante das perguntas dif ceis e quem parece dominar qualquer assunto colocado sobre a mesa Mas ser que compet ncia e rapidez s o realmente sin nimos Ou ser que confundimos seguran a com precipita o Tenho a impress o de que a chegada da Intelig ncia Artificial est nos oferecendo uma oportunidade inesperada para revisitar essa cren a Durante d cadas acreditamos que o valor do conhecimento estava principalmente na capacidade de responder Hoje respostas r pidas organizadas e tecnicamente corretas podem ser produzidas por m quinas em poucos segundos Se assim onde passa a residir o verdadeiro diferencial humano Talvez exatamente naquilo que as m quinas ainda n o fazem sozinhas perceber nuances estabelecer rela es improv veis sustentar a ambiguidade de um problema complexo e sobretudo formular perguntas que ainda n o haviam sido feitas Quanto mais as m quinas evoluem na produ o de respostas mais percebemos que a qualidade dessas respostas depende profundamente da qualidade das perguntas que algu m foi capaz de formular Talvez estejamos redescobrindo uma verdade antiga mas frequentemente esquecida O desenvolvimento humano nunca dependeu apenas das respostas que encontramos Ele depende sobretudo da disposi o de permanecer algum tempo no territ rio das perguntas resistindo ansiedade de encerr -las rapidamente Afinal n o exatamente nesse espa o de n o saber...
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