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Edição #158 - Julho 2026

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A máquina do tempo da ansiedade

Por que fugimos para o celular no primeiro segundo de sil ncio e o que a nossa mente est tentando evitar nbsp Voc chega cinco minutos mais cedo para uma reuni o presencial Ou se acomoda mesa de um caf enquanto aguarda um amigo que avisou por mensagem que vai se atrasar alguns minutos O que acontece nos primeiros segundos desse intervalo de espera Quase sem perceber a m o vai ao bolso o celular aparece na tela da vida e antes mesmo de existir uma decis o consciente voc j est percorrendo o feed de alguma rede social conferindo mensagens ou abrindo e-mails que poderiam esperar tranquilamente mais alguns minutos Essa cena se repete dezenas talvez centenas de vezes ao longo dos nossos dias Ela acontece no elevador na fila da padaria enquanto aguardamos o sem foro abrir na recep o de um consult rio durante um intervalo entre reuni es e muitas vezes de maneira ainda mais inquietante no meio de uma conversa com algu m que amamos ou enquanto assistimos a um filme em fam lia tentador acreditar que fazemos isso porque vivemos cercados de urg ncias Afinal sempre h algo para responder resolver ou acompanhar Mas essa explica o apenas parte da hist ria Na maior parte das vezes recorremos ao celular porque desaprendemos a conviver com a pausa O sil ncio passou a nos causar desconforto A aus ncia de est mulos tornou-se quase insuport vel Talvez seja dif cil admitir mas existe algo ainda mais profundo acontecendo O que evitamos n o o sil ncio em si O que evitamos o encontro com a nossa pr pria mente Sempre que o mundo externo diminui de volume a conversa interna aumenta E nem sempre gostamos do que ela tem a dizer Para compreender essa fuga constante precisamos olhar para um mecanismo extraordin rio da mente humana a sua capacidade de viajar no tempo nbsp O sequestro do presente Poucas vezes permanecemos de fato onde estamos Embora o corpo esteja sentado em uma cadeira caminhando por uma cal ada ou tomando um caf a mente costuma estar em outro lugar Ela funciona como uma m quina do tempo cujos destinos preferidos s o o passado e o futuro Quando viaja para o passado costuma retornar visitando falhas arrependimentos culpas m goas e a intermin vel revis o daquilo que deveria ter acontecido Revivemos conversas reconstru mos decis es imaginamos respostas melhores para situa es que j n o podem ser modificadas Quando segue para o futuro produz um tipo diferente de sofrimento O futuro o territ rio da incerteza nele que surgem as preocupa es com a estabilidade financeira a possibilidade de perder o emprego os resultados de um exame m dico as metas que parecem inalcan veis a...
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