Queridas amigas e queridos amigos da Revista Coaching Brasil.
Existem temas no mundo corporativo que, por muito tempo, foram varridos para debaixo do tapete ou tratados em sussurros nos corredores. Se na edição passada nós desconstruímos a exaustão travestida de "performance", nesta edição nós encaramos de frente um dos maiores tabus do nosso tempo: o envelhecimento e a passagem do tempo nas organizações.
Foi movido por um profundo incômodo com a lógica da "obsolescência humana programada" que o dossiê deste mês nasceu. As queridas colegas Kelly Pinheiro e Tereza Cristina A. Santos assumiram a nobre e urgente missão de coordenar a temática "Maturidade e Novos Começos – Longevidade com Propósito". Elas nos lembram, logo na apresentação, que a longevidade não é um mero dado demográfico, mas uma agenda estratégica. Viver mais exige ressignificar como trabalhamos, aprendemos e contribuímos.
Nas páginas do nosso dossiê, você perceberá que os textos dialogam de forma magistral, desconstruindo a ilusão de que a juventude é o único motor da inovação. Tereza e Kelly abrem alas mostrando que a experiência, quando reinterpretada e aplicada ao presente, deixa de ser passado e se torna a nossa maior potência.
Fábio Betti complementa essa visão de forma brilhante, explodindo o mito de que o etarismo atinge apenas os mais velhos. Ele nos mostra que o problema real está no modelo de trabalho, e propõe a intergeracionalidade intencional como o verdadeiro antídoto. Ricardo Farah, com enorme vulnerabilidade e lucidez, relata o desconforto de ocupar um "não-lugar" no mercado e nos ensina que a maturidade exige parar de buscar validação em modelos antigos para ter a coragem de criar novos espaços.
Márcia Cristina da Silva nos traz um relato poderoso sobre o paradoxo da maturidade feminina, mostrando que assumir os cabelos grisalhos é, no fundo, um ato ético de coragem identitária contra a "pedagogia do constrangimento".
Mergulhando nas águas profundas das transições de vida, Claudio Luiz Nogueira nos presenteia com uma crônica sensível sobre o momento de devolver o crachá e enfrentar o vazio e a ansiedade da aposentadoria, redescobrindo uma nova relação com o tempo.
Paulo Faveret ecoa essa travessia, lembrando-nos da transitoriedade da vida e convidando-nos a não sermos escravos do passado, mas a abraçarmos o fluxo e a "vida não vivida".
Fechando o dossiê com uma lente magistral, Carlos Piazza nos leva às estrelas, lembrando que somos feitos de poeira cósmica e que a impermanência e a contínua recriação são a verdadeira regra do universo.
Como é tradição na nossa revista, essa teia de reflexões sobre a nossa humanidade se estende pelas colunas desta edição, formando um mosaico riquíssimo.
Noscilene Santos nos lembra que líderes eficazes não são os que apenas entregam resultados, mas os que desenvolvem novos líderes. Carlla Zanna amplia nossa lente sobre a diversidade, expondo o altíssimo custo do "mascaramento cognitivo" para os profissionais que precisam esconder quem são para pertencer.
Calebe Luo nos guia pelo fascinante (e perigoso) mundo do neuromarketing, mostrando como os consultores podem usar a ciência da decisão de forma ética.
William Sato segue nos trazendo lucidez sobre a Inteligência Artificial, ensinando como usá-la não para terceirizar o raciocínio, mas como uma organizadora do aprendizado em um mundo de excessos.
João Francisco de Oliveira Lobato nos traz um alerta profundo sobre a interdição do debate político e a crise da palavra pública, mostrando como o silenciamento corrói a nossa democracia.
Carlos Legal provoca nossa zona de conforto ao afirmar que "feedback não desenvolve ninguém", lembrando que a transformação real só acontece na prática continuada pós-conversa.
Para fechar, Robson Santarém nos presenteia com a sabedoria de que, assim como um rio, precisamos das nossas "margens" e limitações para ganharmos força e direção.
Esta é uma edição que nos convida a honrar o nosso tempo. A questionar a régua que descarta a experiência em nome da mera velocidade.
Que esta leitura traga clareza, coragem e novas perspectivas para a sua jornada.
Pois, como nos lembram as coordenadoras deste mês: a longevidade ativa não é sobre prolongar carreiras, é sobre ampliar presenças.
Com meu abraço fraterno,
Luciano Lannes
Editor da Revista Coaching Brasil
Artigo publicado em 06/05/2026