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Edição #155 - Abril 2026

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Editorial - Ed. 155 - Performance Sustentável

Queridas amigas e queridos amigos da Revista Coaching Brasil.

Existem palavras no mundo corporativo que, de tanto serem repetidas, acabam se esvaziando de seu sentido original. Elas viram dogmas. E, talvez, a palavra que mais sofra desse esvaziamento nos dias de hoje seja "performance".

Foi a partir de um profundo incômodo com essa palavra "desacompanhada", que tantas vezes nos remete apenas a uma cobrança exaustiva por mais rendimento e mais resultados, que nasceu a semente desta edição.

As queridas colegas Andréa Nery e Jacqueline Resch assumiram a nobre missão de coordenar o dossiê deste mês. E elas o fizeram com uma intenção muito clara: completar uma trilogia essencial para a gestão contemporânea. Depois de passarmos pela "Contratação Consciente" e pela "Demissão Humanizada" em edições anteriores, elas nos convidam agora a olhar para o "durante". O território onde a energia humana é colocada a serviço de um propósito: a Performance Sustentável.

Logo na apresentação, Andréa e Jacqueline nos lembram de uma realidade dura: o Brasil lidera os rankings globais de burnout e estresse no trabalho. E, a partir dessa constatação, elas reuniram um grupo brilhante de autores para nos ajudar a responder a uma pergunta urgente: o que, de fato, estamos premiando nas organizações?

Nas páginas do nosso dossiê, você perceberá que os textos dialogam de forma magistral, desconstruindo a ilusão de que o ser humano é uma máquina.

Felipe Paiva abre brilhantemente essa reflexão nos lembrando da Lei de Goodhart: quando uma medida se torna uma meta, ela deixa de ser uma boa medida, gerando uma teatralidade corporativa vazia de valor real. Suzan Dias Koike complementa essa visão desmontando o "mito do placar", alertando-nos para o risco de transformarmos nossas equipes em Sísifos modernos, empurrando pedras ladeira acima em um sistema que impede a conclusão.

Aline Carvalho nos traz para o chão de fábrica da complexidade, mostrando quais são os verdadeiros habilitadores para que uma organização prospere em um mundo imprevisível. A Professora Angela Donaggio, por sua vez, nos convoca a admitir o "elefante na sala", questionando por que aceitamos ambientes de trabalho que adoecem e distribuem ansiolíticos, e nos propõe o caminho da Liderança Virtuosa.

Chris Melchiades nos ajuda a olhar para as polaridades da nossa energia psíquica, lembrando que a excelência não nasce da aceleração contínua, mas da consciência no momento presente. Sandra Poltronieri mergulha no universo das indústrias criativas para nos mostrar que a verdadeira performance nasce da arte de sustentar paradoxos, como equilibrar liberdade com direção.

Andréa e Jacqueline fecham o dossiê de forma cirúrgica, lembrando que redefinir a performance não é abandonar resultados, mas sim uma profunda escolha moral e estratégica.

Como é tradição na nossa revista, essa teia de reflexões sobre a nossa humanidade se estende pelas colunas desta edição, formando um mosaico riquíssimo.

Cristina Calligaris nos lembra que a confiança não se declara, se desenvolve a partir da autopercepção e da coerência do líder. Carlla Zanna amplia nossa lente sobre a neurodivergência, trazendo o belo conceito do "pertencimento cognitivo".

William Sato segue nos guiando com lucidez pelo mundo da Inteligência Artificial, mostrando como usá-la para ampliar, e não substituir, o nosso pensamento. Calebe Luo provoca os consultores e mentores a repensarem seu posicionamento no mercado.

João Francisco de Oliveira Lobato nos traz um choque de realidade necessário, lembrando que a "nuvem" tecnológica tem peso e consome os recursos da Terra, em uma reflexão vital sobre a sustentabilidade planetária. E Carlos Legal faz um alerta profundo sobre a erosão da nossa lucidez, advertindo-nos sobre o perigo do cinismo nas organizações quando a consciência não se transforma em ação.

Para fechar, Robson Santarém nos presenteia com mais um de seus storytellings, mostrando como a nossa percepção e intenção moldam a forma como valorizamos o outro.

Esta é uma edição que nos convida a parar. A questionar a régua com a qual medimos o sucesso, o nosso e o dos outros.

Que esta leitura traga clareza, coragem e novas perspectivas para a sua jornada. Pois, como nos lembram as coordenadoras deste mês: o sucesso não pode ser medido apenas pelo que cresce, mas, fundamentalmente, pelo que permanece.

 

Com meu abraço fraterno,

Luciano Lannes

Editor da Revista Coaching Brasil

Artigo publicado em 05/04/2026
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