Queridas amigas e queridos amigos da Revista Coaching Brasil,
Alguns dossiês nascem de uma inquietação editorial. Outros surgem de conversas entre colegas. E há aqueles que chegam como um convite generoso de alguém que deseja abrir um campo de reflexão importante.
Esta edição nasce assim.
O tema do dossiê deste mês foi proposto por Marcia Poppe, que também assumiu a coordenação do dossiê, realizando o trabalho cuidadoso de selecionar e convidar cada um dos autores que compõem esta conversa. A partir de um interesse profundo que vem cultivando há algum tempo, Marcia nos convida a ampliar o olhar sobre uma dimensão do humano que muitas vezes passa despercebida ou é pouco compreendida: a alta sensibilidade.
Logo na apresentação do dossiê, ela compartilha o desejo de ampliar a perspectiva sobre a dimensão sensível do ser humano e reconhece a Revista Coaching Brasil como um espaço fértil para essa conversa entre profissionais comprometidos com o desenvolvimento humano.
E, à medida que avançamos pelas páginas desta edição, essa conversa vai se expandindo de maneira rica e multifacetada.
Joy Reichart nos leva a refletir sobre a pacificação como prática viva, mostrando que sustentar um campo de presença e serenidade também é também uma forma ativa de transformação.
William Allen oferece um olhar muito necessário sobre a experiência do homem altamente sensível, trazendo reflexões sobre maturidade emocional e a capacidade de responder ao mundo sem abandonar a própria sensibilidade.
Mary-Lynn Masi explora aquilo que chama de inteligência invisível, revelando tanto os desafios quanto os dons que pessoas altamente sensíveis carregam para os ambientes onde atuam.
Fábio Augusto Cunha volta seu olhar para o mundo organizacional e utiliza a metáfora do canário na mina para mostrar como pessoas sensíveis frequentemente percebem antes sinais de tensão, desgaste e desalinhamento nos ambientes de trabalho.
Rosalira dos Santos Oliveira oferece uma base teórica consistente ao propor uma mudança de perspectiva importante: sair da ideia da sensibilidade como vulnerabilidade individual e começar a reconhecê-la como um ativo coletivo para grupos e organizações.
Mari Mel Ostermann traz a dimensão da expressão sensível por meio da poesia e da escrita, mostrando como sentir profundamente também pode se tornar linguagem, criação e sentido.
E a própria Marcia encerra esse percurso com uma reflexão delicada sobre a beleza da pausa como movimento consciente, lembrando que, muitas vezes, é justamente no espaço da pausa que a sensibilidade encontra lugar para se manifestar.
Como acontece em muitos dossiês da revista, os textos dialogam entre si e, ao mesmo tempo, abrem novas perguntas. Talvez uma delas seja esta: em um mundo que valoriza tanto velocidade, eficiência e performance, o que acontece quando começamos a reconhecer o valor da sensibilidade?
Além do dossiê, esta edição traz outras reflexões muito instigantes.
Na coluna Diversidade Cognitiva, Carlla Zanna amplia o olhar sobre a neurodivergência e propõe um deslocamento importante para o campo do coaching: reconhecer diferentes formas de funcionamento humano não como desvios a serem corrigidos, mas como expressões legítimas da pluralidade da mente humana.
Na coluna Consultor Empreendedor, Calebe Luo aborda um tema muito atual para quem atua de forma independente: a lógica da invisibilidade programada no ambiente digital. Ele mostra como os algoritmos e os modelos de negócios das plataformas influenciam quem aparece e quem permanece invisível, convidando profissionais a desenvolver estratégia, posicionamento e produção consistente de conteúdo para construir autoridade.
William Sato, na coluna IA na prática, segue nos ajudando a olhar para a inteligência artificial com maturidade. Em vez de deslumbramento ou pânico, ele propõe algo muito mais útil: método, discernimento e uso consciente da tecnologia como ferramenta a serviço das nossas decisões.
Carlos Legal, em PQP – Pra Quem Pensa, traz uma reflexão potente sobre a erosão da confiança nas relações e sobre o risco silencioso da normalização do inaceitável no cotidiano social.
Na coluna A Falsa Neutralidade do Cotidiano, João Francisco de Oliveira Lobato provoca uma reflexão importante sobre o enfraquecimento do diálogo público. Ele mostra como, em um ambiente cada vez mais polarizado, a divergência deixa de ser conversa e passa a ser julgamento, empobrecendo a capacidade coletiva de sustentar debates complexos e necessários.Como você pode perceber, esta edição percorre territórios muito humanos.
Sensibilidade. Consciência. Ética. Tecnologia. Diversidade. Filosofia. Responsabilidade.
Temas diferentes que, de certa forma, convergem para uma mesma pergunta de fundo: que tipo de humanidade queremos cultivar nos ambientes onde vivemos e trabalhamos?
Que esta leitura desperte novas reflexões, novas conversas e novas possibilidades de atuação.
Seguimos juntos nesse espaço de encontro entre pessoas que acreditam no desenvolvimento humano como caminho de consciência e transformação.
Com meu abraço fraterno,
Luciano Lannes
Editor da Revista Coaching Brasil
Artigo publicado em 05/03/2026