A not cia ocupou o notici rio por dias cerca de mil pessoas desligadas por baixa produtividade no trabalho remoto nbsp Os relatos que se seguiram escancararam a complexidade dessas decis es gente que se sentiu injusti ada e precisou de atendimento m dico gente que ficou e passou a trabalhar com o cora o acelerado posso imaginar l deres que mesmo treinados provavelmente voltaram para casa carregando o peso de cada olhar cada sil ncio cada porta que se fechou Porque sim a organiza o em quest o informou que preparou a lideran a para conduzir o processo com cuidado - e isso fundamental Mas existe uma camada que ultrapassa qualquer script de desligamento a dor do rompimento E a que muita gente se surpreende existe um nome para tudo isso um fen meno humano e previs vel que habita os corredores baias e salas de reuni o de forma silenciosa e provoca mais preju zos do que se imagina Eu estou falando do luto Muita gente se surpreende quando uso essa palavra O luto est muito associado morte mas ele se aplica a todo e qualquer rompimento abrupto que rompe com o mundo conhecido at ent o o que chamamos de lutos n o reconhecidos tanto por n s mesmos quanto pela sociedade nbsp o caso do div rcio do aborto do diagn stico de uma doen a que amea a a continuidade da nossa vida da perda do animal de estima o da infertilidade da s ndrome do ninho vazio dentre outros Cada rompimento a porta de entrada para outros medos como desamparo abandono amea as e inseguran as O luto n o um visitante raro mas cada pessoa o vive sua maneira com repert rios afetivos diferentes moldados pela hist ria pela cultura e pelas pequenas ou inexistentes li es que recebemos sobre como lidar com a dor E a est a contradi o central fomos educados para produzir n o para sentir para reagir n o para elaborar para seguir em frente n o para sustentar o desconforto Pouqu ssimos de n s aprenderam de fato a cuidar do que d i Por isso eu n o deveria surpreender quando afirmo que carregamos nossas dores para o trabalho da mesma forma que levamos tudo nossos fantasmas nossas rupturas nossas expectativas nossas esperan as nossas tentativas de seguir funcionando Passamos mais horas com os colegas do que com a fam lia mais tempo no chat da empresa do que conversando com quem amamos ilus rio acreditar que dores profundas ficam do lado de fora Meu trabalho comunicar que o luto est presente em todas as organiza es O que acontece que nos corredores corporativos ele ganha uma camada de sil ncio n o nomeado n o reconhecido e muitas vezes nem permitido Como se a aus ncia de palavras anulasse a presen a do que nos atravessa Mas a verdade simples...