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Coaching - guia prático para não falar bobagem

Luciano S. Lannes Por Luciano S. Lannes em 01/03/2020

O nome completo deste texto é "Coaching - guia prático para não falar bobagem e parar de chamar de Coaching o que não é".

Cresce a cada dia o número de artigos, vídeos, podcasts falando sobre o Coaching, ou fazendo citações e comentários. Como é um tema que tem ganhado repercussão, jornalistas de vários veículos da mídia, produtores de conteúdo, influenciadores digitais estão cometendo uma série de gafes devido a comprarem sem a devida análise, o estereótipo que foi criado sobre o que significa ser coach e o que significa a metodologia do Coaching. Alguns, parece que bem poucos, se aventuram em pesquisas muito rasas sobre o tema, limitando-se a abrir um ou dois links na primeira página do Google. Isto tem feito muito mal ao Coaching como uma intervenção séria, profunda e eficaz, e aos bons profissionais da área. 

Fazer deboche com o Coaching é um sinal de profunda ignorância, falta de discernimento e de respeito a tantos profissionais conscientes, estudiosos e éticos, que sabem a delimitação de intervenção entre Coaching e a Psicologia por exemplo. É jogar fora a água do banho com o bebê junto. 

Assim, a motivação deste artigo é trazer mais luz à esta questão, esperando que pessoas inteligentes, com capacidade de discernimento, sejam multiplicadoras dos conceitos certos.

É sabido que a pergunta é uma das “ferramentas” do Coaching, assim, deixe no cabide tudo o que você acha que sabe que significa Coaching e venha descobrir neste artigo algumas coisas que possivelmente não sabia.

Então, quando vamos falar de Coaching, a primeira pergunta a ser respondida é: “o que é Coaching?”

1 - O que é Coaching

Tem sido cada vez mais comum na mídia conceitos confusos e muitas vezes completamente errados sobre o que seja Coaching. Então vamos elucidar esta primeira questão que já limpa muitos dos problemas. Para tanto, vou aprofundar o necessário neste tópico para que aquele que ignorava a profundidade do Coaching possa sair na outra margem com um entendimento robusto e alicerçado.

O Coaching é uma abordagem que tem como um dos pilares a não diretividade, isto é, não interferir com o conteúdo do coach (aquele que conduz o processo) na construção de futuro que o coachee (aquele que passa pelo processo) está elaborando. Hoje existe uma conversa muito interessante sobre os limites desta não diretividade, mas de qualquer forma, o papel do coach não é o de aconselhar ou de mostrar o caminho das pedras. Desta forma, cai por terra a maior parte das críticas e ironias feitas ao coach como o “cara” que vai resolver seus problemas, te ensinar o caminho, guiar seus passos para o sucesso e felicidade. Nada disso é papel do coach.

O que um Coach definitivamente não é? 

guru da felicidade;
- guru do sucesso;
- palestrante motivacional;
- aquele que mostra o caminho das pedras;
- o que conta os segredos do paraíso;
- quem "garante" as metas do cliente;
- um ser super pilhado, animado, tipo líder de torcida;

Fuja de qualquer pessoa que se proponha a ser qualquer um dos itens acima: grande chance de ser um picareta. 

Na edição número 1 da Revista Coaching Brasil em junho de 2013, com o tema “mas afinal, o que é Coaching?Rosa Krausz em seu artigo elenca uma série de pressupostos básicos humanísticos importantes que regem a filosofia do Coaching:

- As pessoas sabem mais do imaginam;

- As pessoas possuem recursos que nem sempre são adequadamente utilizados;

- Metas desafiantes e viáveis estimulam as pessoas a darem o melhor de si;

- As pessoas têm capacidade de mudar se assim o desejarem;

- Pessoas comuns são capazes de fazer coisas extraordinárias.

Assim, o papel do coach é, com sua metodologia (e existem várias linhas e abordagens), criar um espelho onde o coachee possa se ver no processo, compreender o que está dizendo, de que lugar está dizendo, com que premissas, quais crenças regem seus comportamentos e ações. No questionamento, o coach convida o coachee a mudar seu ponto de observação e, saindo do epicentro dos problemas e das causas geradoras deles, possa exercer um olhar crítico e revelar outras possibilidades, que, naquele vale em que se encontrava não conseguia contemplar.

Então, mais além, o Coaching é a arte de apoiar o coachee na busca e seleção de estratégias e explorar alternativas para alcançar o estado desejado. Importante frisar que o coach é parceiro de jornada do coachee ao destino que este acredita que possa alcançar. Não importa que o coach ou outras pessoas acreditem que o coachee possa muito mais. Se este (coachee) não acreditar que pode, ou estiver pronto e disposto a desafiar as crenças que limitam certos avanços, será impossível ultrapassar determinada fronteira. É dever ético do coach preservar pela segurança do coachee, seja física, emocional ou psicológica. É dever ético do coach primeiro questionar, depois alertar e na inflexibilidade do coachee, interromper o processo caso este insista em ações que o coloque em qualquer risco que não esteja preparado para arcar com as consequências. 

É papel do coach questionar à exaustão o porque da meta do coachee, para que este ganhe consciência de que ele tenha real propriedade sobre seu objetivo.

Diferente do “coach” esportivo, o treinador, cujo papel é desafiar os limites do atleta e fazê-lo chegar a um desempenho que até então ele, atleta, não acreditava, este não é o papel direto do coach dentro de um processo de Coaching. Digo direto, pois durante o processo, uma das coisas que o coach mais fará é convidar o coachee a mudar de ponto de observação e a questionar os postulados que construiu sobre o que é ou não capaz de fazer. O próprio coachee passa a desafiar seu limite anterior com a presença atenta do coach, no qual confia, para conquistar novos territórios. Como o Coaching por natureza é uma abordagem para criar autonomia e autorresponsabilidade, o coachee passa a ter o domínio do questionamento de outras limitações, passando a criar seus próprios planos e ações para desafiá-las. 

Uma das frases que um coach mais gosta de ouvir, vinda do coachee é “não tinha pensado nisso”, quando através de um questionamento vê algo que não havia visto antes.

O coach tem a responsabilidade ética de prezar pela segurança do coachee. Assim, ele precisa questionar sobre os riscos, desafios e consequências. Nenhuma meta tem 100% de garantia que será alcançada. Por isso, é importante o coachee ter esta consciência para lidar com vários resultados que podem advir. Fazendo um paralelo, até já gasto, com o Everest, mas sempre oportuno e muito visual, é muito grande o número de pessoas que se propõe a atingir o seu cume, e precisam retornar nos últimos 100 metros. Deve ser gigantesca a sensação de frustração e fracasso naquele momento, embora os empecilhos, internos (debilidade física, congelamento de membros ou perda de consciência por falta de oxigênio) ou externos (muitos escaladores lentos à frente naquele dia, mudança rápida das condições meteorológicas, mau funcionamento do cilindro de oxigênio ou uma avalanche) não estejam sob seu controle. Inúmeras mortes de escaladores advém deste arriscar a própria vida por não conseguir conviver com a ideia de que aos seus, e talvez principalmente aos olhos dos outros, ele tenha fracassado. Ser sempre lembrado como a pessoa que “quase” chegou lá pode ser demasiado dolorosa para muitos. É muito romântico dizer, como nos filmes, que só existe a opção de vencer, mas é preciso estar ciente e preparado para opção de não dar certo. No caso de não dar certo como planejado, como o coachee vai processar isso, conviver com isso e seguir em frente tem que sempre ser pauta presente no processo de Coaching.

Mas voltando a uma tentativa de definir o que seja Coaching, segundo John Withmore, expert em liderança no mundo corporativo: 

“O processo de Coaching consiste em liberar o potencial de uma pessoa para aumentar ao máximo o seu de­sempenho, ajudando-a a aprender ao invés de ensinar”

Vamos aprofundar e ver alguns pilares fundamentais do Coaching, além dos pressupostos já citados: 

- apoiar o coachee na ampliação de sua consciência pessoal, de cultura, sociedade e mundo; 

- apoiar o coachee na descoberta dos valores que regem sua vida e que devem ser cuidados e preservados, assim como identificar valores tóxicos que fazem parte de sua vida hoje para que ele possa elaborar formas de eliminá-los ou conviver com o mínimo deles de forma ecológica

- apoiar o coachee na descoberta da direção que quer seguir, alinhada com seus valores e significado que aquilo traz para a vida; 

- apoiar o coachee a ganhar autonomia na solução de seus problemas através do ganho de autoconfiança e exploração de sua própria experiência e potencial.

Note o uso proposital da palavra “apoiar” ao invés de “ajudar” muito comumente utilizada. Sem entrar em discussões semânticas, o sentido de apoiar está vinculado a estar ao lado, presente, assim o coachee sente que não está só na caminhada embora seja autor de todas as estratégias e de cada passo. Este apoio também implica em incentivar, encorajar e comemorar quando justo. Já ajudar, tem o sentido de fazer junto. O coach não faz junto, ele está ao lado, atento, acompanhando. Por isso evite usar o “ajudar”. 

O verdadeiro processo de Coa­ching é provocativo, desafiador, metafórico, pautado em pergun­tas abertas, que trazem reflexão e inspiração ao Coachee. 

Eu gosto de resumidamente definir Coaching como:

 “A arte de conectar e perguntar”

O dossiê da edição 6 da Revista Coaching Brasil é dedicado a este tema. Este conectar é algo bem profundo que merece outro espaço maior exploração.

Uma pausa para a reflexão sobre o termo “Coaching”

Depois de tudo o que abordei acima sobre a filosofia do Coaching, creio ser a hora adequada para refletir sobre o termo utilizado. A palavra “Coaching” como designativo desta atividade a qual nos referimos é bem inapropriada, opinião particular minha, visto ser um termo mutante que veio sofrendo várias alterações ao longo da história e que serviu e serve para designar várias atividades muito distintas. 

Para começar, pare de dizer simplesmente que “coach” é uma palavra do inglês que significa treinador. A história é mais complexa. 

Para compreender sobre a origem da palavra, tudo começa com uma cidade na Hungria chamada Kocs que se pronuncia “coch”. Segundo consta no site da cidade, o primeiro registro escrito vem de 1217 na forma “koch”. Os primeiros registros desta vila, quando os Póka eram os proprietários, fazem menção a ela estar relacionada a “carneiro” (Kos). Segundo o etnógrafo húngaro Zsigmond Bátky, “Koch” é um nome turco que foi apropriado pelo húngaro.

Seguindo na história, no século XV esta cidade  se notabilizou por ter desenvolvido carruagens com o primeiro sistema de suspensão com molas de aço, o que proporcionava grande conforto aos seus ocupantes. Passaram a ser conhecidas como “kocsi szekér” (carroças de Kocs), daí que “kocsi” em húngaro passou a designar carroças e carruagens. Conforme este conceito de produto foi se espalhando pela europa, o nome para designar o veículo também, passando a fazer parte de muitos idiomas como Inglês coach, Tcheco  kočár, Slovaco koč, Alemão Kutsche, Holandês koets, Catalão cotxe, Italiano cocchio, Espanhol, Português, e Francês coche e Escandinavo kusk.

Quando a palavra foi incorporada ao idioma inglês, começa outra história. Vamos a uma cronologia muito enxuta:

  • 1830 - na Universidade de Oxford, a palavra “coach” é utilizada para designar um tutor, um professor que ajudava o aluno a se preparar melhor para seus exames;

  • 1861 - também na na Universidade de Oxford, a palavra “coach” passa também a denominar aqueles que ajudavam os atletas da universidade a se preparar para provas desportivas;

  • 1950 - o termo “Coaching” entra na literatura referindo-se ao gerenciamento de pessoas;

  • 1960 - em Nova York, o termo Life Coaching foi introduzido em um programa educacional;

  • 1974 - Timothy Gallwey, lança seu livro “The Inner Game of Tennis”, sem dúvida um marco para o Coaching como disciplina e profissão;

  • 1988 - John Whitmore lança o livro “Coaching para Performance”

  • 1991 - Thomas Leonard funda a “Coaching University”;

  • 1992 - Já há uma massa crítica de coaches atuando principalmente no âmbito organizacional;

  • 1995 - Fundação da ICF - International Coach Federation)

Já nos Estados Unidos passa a designar o treinador esportivo, assim como em Oxford desde 1861, e este é o uso mais frequente da palavra no mundo, como um treinador, alguém que literalmente ensina técnicas, motiva e incentiva.

Com esta história, fica mais claro a origem do nome e como chegamos até aqui. 

A correlação com a carruagem, vem dela servir para transporte, para levar pessoas de um lugar “A” para um lugar “B”. Por isso que ele foi associado a um processo de mudança, onde a pessoa sai de um determinado estado, nível ou patamar e busca atingir outro, seja nos estudo, na profissão ou na própria vida. 

Na época em que o termo passou a ser relacionado com desenvolvimento de pessoas, o paradigma ainda era professoral, do mestre que ensina seus discípulos, do gestor experiente que orienta seus subordinados. Poderiam ter criado outro nome como “Swernnukamush” (fique tranquilo(a), inventei agora), ou mais apropriado ainda usar a palavra que guarda maior coerência, que é “Maiêutica”, que significa dar à luz”, “dar parto”, “parir” o conhecimento, em grego. 

A base ancestral do que hoje chamamos de Coaching é o próprio método socrático. Sócrates, pensador grego que criou as bases da moderna filosofia, tinha na pergunta seu principal instrumento de investigação. Veja o texto de Marcello Árias em sua coluna "Filosofia e Coaching ". Destaco um trecho: 

Em processos de Coaching, iluminar as contradições de seu cliente pode ser de grande valia para que ele possa colocar-se em uma nova postura de observação de seu contexto atual com vistas a deliberar a melhor das ações. Sócrates acreditava que a primeira virtude do sábio é conscientizar-se de sua ignorância com vistas a se libertar do orgulho e da pretensão de que tudo sabe para poder reconstruir um novo saber. Essa fase é conhecida por Maiêutica - parto de ideias -, onde o interlocutor - no nosso caso, o cliente - por meio das perguntas socráticas, conseguiria concluir por si só - dar à luz -, uma nova concepção - observação, perspectiva - do problema. É bom lembrar que o método socrático pode nos ser útil em processos de Coaching de vida e em Coaching Executivo. Como diz Peter Drucker: “O dirigente do passado sabia dar ordens. O dirigente do futuro vai saber fazer perguntas”.

É um método ou técnica que pressupõe que "a verdade está latente em todo ser humano, podendo aflorar aos poucos na medida em que se responde a uma série de perguntas simples, quase ingênuas, porém perspicazes".

Sócrates, criador da Maiêutica Socrática, dizia não ter ensinamentos positivos a oferecer, mas somente perguntas a fazer.  

Este é o verdadeiro espírito do Coaching, bem a moda de Sócrates.  

E a tal definição?

Como as definições dadas por autores são tão distintas entre si, muitas vezes particularizando uma dada linha de atuação, trago a definição adotada pela ICF (International Coach Federation) por conter vários elementos importantes. 

“Coaching é uma parceria com os clientes em um processo instigante e criativo, que os inspira a maximizar seu potencial pessoal e profissional”
ICF

Ao longo dos anos como estudioso do tema, coach e editor da Revista Coaching Brasil também fui construindo uma sentença com os elementos essenciais que, para mim, caracterizam o Coaching, sem a pretensão ou intenção de nela esgotá-los, para contar para quem não conhece o que seja o cerne do Coaching, e que atualmente está assim:

“Coaching é um processo confidencial, não diretivo, no qual é criado um ambiente de confiança e segurança, onde primordialmente através do diálogo busca-se estimular o coachee a expandir sua visão do mundo e de si próprio, explorar seu potencial e recursos, para ganhar segurança e autonomia para conduzir seus processos de mudanças e/ou alcançar metas desejadas”.
Luciano Lannes

Então, resumindo, o coach não mostra caminhos e não ensina a fazer. Ele utiliza instrumentos, e o melhor sem dúvida é a pergunta, para que o coachee possa enxergar melhor determinados pontos. Ele é acima de tudo um estimulador de aprendizagem. 

2 - Quem entrevistar para falar sobre Coaching

Tenha em mente que os “popstars” do Coaching que pululam nas mídias sociais não são necessariamente as melhores fontes, nem os melhores profissionais para entrevistar quando o que você busca é imparcialidade e qualidade. 

Visibilidade não é necessariamente autoridade

Boa parte deles entende mais de negócios, manipulação das carências humanas, uso de gatilhos mentais e do marketing digital do que efetivamente dos fundamentos do Coaching, tanto que se pesquisar em suas linhas de atuação verá que muitos vão, frequentemente, vão pulando de onda em onda procurando aproveitar para faturar no momento. 

Olhe com desconfiança aqueles que propalam valores astronômicos cobrados por sessão ou formações pois não condiz com a prática dos profissionais sérios. Muita atenção também com aqueles que montam superproduções de palco, com música, luzes, gritos e palavras de ordem. Tudo isso excita no cérebro e aí precisamos estar especialmente atentos a qual conteúdo estamos sendo expostos. 

Agora vejamos onde encontrar as pessoas adequadas para sua matéria. Parta de uma fonte de sua confiança no mercado que pode levar você até as pessoas adequadas. A palavra chave aqui é confiança. Os profissionais costumam orbitar alguns astros referenciais como associações ou grupos de estudos. Faça contato com quem coordena estes grupos ou está a frente de associações. Em relação a esta última, cuidado com empresas que tem o “Associação” apenas no nome para passar a ideia de um organismo confiável. Veja também a publicação de artigos em periódicos de prestígio dentro da área, principalmente aquelas que não estejam vinculadas com publicidade, as tais matérias pagas ou informes publicitários.

Uma parte dos coaches organizacionais mais experientes, por terem um nome muito forte no mercado, tem grandes empresas como clientes frequentes e alguns avulsos (pessoa física) que sempre chegam por indicação. Muitos não tem nem site. Assim, não se surpreenda se não os encontrar no Google. Recebendo alguma indicação, faça uma pesquisa no Linkedin, e veja a história da pessoa e trajetória de carreira. 

Consulte organismos como a ICF, ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos) e publicações isentas como a Revista Coaching Brasil. Consulte artigos publicados e verifique quais são as citações feitas ou referências bibliográficas. 

Acima de tudo, coloque em prática o seu senso crítico e passe a fazer mais perguntas ao invés de aceitar respostas já prontas, mastigadas e com calda das ideologias do autor. 

3 - Pare de dar impulso ao negativo

Vivemos uma cultura do negativo. Nossa imprensa, em boa parte é especializada em fazer cobertura de catástrofes, mortes, furacões, assaltos, roubos e tudo o mais que espremendo saia sangue, como se diz no popular. 

Saia deste barco

Este tipo de mensagem negativa e irônica encontra grande eco em sociedades de baixa maturidade, focadas no negativo e na justificativa de sua própria situação difícil pela ação não ética do tal “outro”. 

Uma das características desta sociedade em boa medida boçal, desprovida da capacidade de discernimento, análise e questionamento, é tomar como verdade tudo o que é publicado por pessoas ou entidades às quais elas atribuem autoridade. Por isso que o grande “mote” do marketing digital é frisar a importância da criação de autoridade. E esta autoridade está mais baseada no número de publicações, cliques, curtidas e likes que a pessoa recebe, do que de fato na procedência e consistência daquilo que ela fala. Pessoas com grande número de fãs nas mídias sociais são automaticamente chamadas de “influencers”, pois de fato influenciam comportamentos e tomadas de decisão de uma boa parte da população que não pensa por si, só segue a boiada. 

No Coaching, por vários abusos de pessoas oriundas de formações duvidosas em suas bases conceituais e mais focadas no financeiro, e um enorme mercado de supostos “mentores de coaches” que se propõe a fazer do novo coach um sucesso no mercado e a “lotar a agenda”, inúmeras técnicas de marketing digital são utilizadas e aí, ocorre a manipulação da comunicação através da “copy” (texto estrategicamente escrito para captar a atenção e despertar o desejo no leitor), repletas de “gatilhos mentais” que levam os menos atentos a uma ação que atende a uma “dor” que ele busca resolver. 

Assim, muitos coaches, que nem assim deveriam ser designados, se lançam no mercado fazendo absurdos como promessas de resultados, e não respeitando os limites éticos da ação do Coaching, como já bem estipulei acima, invadindo sem competência alguma espaços restritos de outras disciplinas como Psicologia e Psiquiatria. 

Ficou famoso o caso da novela “O outro lado do Paraíso” onde uma personagem, através de uma publicidade paga por uma escola de Coaching, traz o tema Coaching para a trama, propondo-se a tratar questões sérias, como abuso sexual. Este foi um dos grandes estopins que fez com que humoristas vissem no Coaching uma matéria prima excepcional para suas piadas, e continuamente associarem Coaching com todo tipo de pilantragem. 

O pior é que, vendo os comentários que pessoas postam nestes vídeos de deboche, elas claramente mostram total concordância com a generalização de que todo coach seja um picareta. 

Nesta vibe, fica claro como uma ação popular feita por uma pessoa com intenções nebulosas, propondo a criminalização do Coaching tenha conseguido facilmente mais de 20 mil assinaturas e esteja tramitando no Senado como sugestão de projeto.

Será que é válido criminalizar a Medicina por causa dos “doutores bumbum” da vida? Ou o Direito por causa dos advogados picaretas? Ou a Educação Física pelos “personal trainers” que induzem graves lesões em alunos? Ou a igreja pelos padres pedófilos? Nenhuma instituição pode impedir que que profissionais mal preparados e não éticos existam. 

Que tal, munir-se de informações de qualidade e fazer publicações elucidativas, esclarecedoras, que efetivamente auxiliem as pessoas e discernir sobre o que lhes é apresentado como verdadeiro? Desta forma, você estará ajudando uma sociedade a ganhar autonomia e autorresponsabilidade para ser mais questionadora, buscando dados e eliminando o que não seja ético, justo e efetivo.

Com os votos que este texto possa trazer luz e ampliar a visão.

Luciano Lannes

Editor da Revista Coaching Brasil

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