Nunca se falou tanto em processos seletivos estruturados dados tecnologia e boas pr ticas E paradoxalmente nunca foi t o f cil perder de vista o impacto humano das decis es que tomamos ao contratar Entre sistemas cada vez mais sofisticados e discursos bem-intencionados o recrutamento corre o risco de se tornar tecnicamente irrepreens vel mdash e eticamente raso nesse intervalo entre efici ncia e responsabilidade que a ideia de contrata o consciente deixa de ser um ideal abstrato e passa a se impor como uma necessidade pr tica Atuo nesta rea h aproximadamente quarenta anos Nesse intervalo de tempo acompanhei transforma es profundas impulsionadas por mudan as tecnol gicas culturais econ micas e organizacionais Ao ser convidada para compor este dossi fiz uma esp cie de viagem no tempo Relembrar essas mudan as n o foi um exerc cio nost lgico mas uma forma de olhar para o presente com mais densidade Compreender como chegamos at aqui talvez nos ajude a refletir com mais consci ncia sobre como contratar hoje nbsp Anos mdash quando efici ncia significava organizar o caos Quando comecei a atuar os processos eram inteiramente manuais os curr culos arquivados em pastas f sicas e controle das vagas feito em registros em papel Para quem pertence gera o Z que viveu apenas processos digitais com triagens automatizadas entrevistas online e comunica o mediada por plataformas esse cen rio pode soar ca tico Eu mesma me lembro dessas salas cheias de arquivos como uma experi ncia quase psicod lica Foi ao longo dos anos que surgiram as primeiras tentativas de digitaliza o dessa pr tica bancos de dados de curr culos sistemas internos de registro e organiza o de candidatos ainda muito distantes do que hoje chamamos de ATS Eram solu es iniciais muitas vezes propriet rias que n o eliminavam o trabalho humano mas come avam a estruturar informa es que antes estavam dispersas em pap is e gavetas Mais do que automatizar decis es tratava-se naquele momento de ganhar efici ncia operacional nbsp Anos mdash quando recrutar passou a ser tamb m atrair Na d cada seguinte essas solu es tecnol gicas tornaram-se mais robustas e o recrutamento passou a dialogar com outra l gica a do chamado mercado de talentos Gradualmente a rea deixou de operar apenas como fun o interna e operacional e passou a se preocupar com imagem posicionamento e atratividade O discurso da proposta de valor ao empregado employee value proposition come a a ganhar espa o impulsionado por consultorias globais e pela percep o de que profissionais qualificados tinham mais poder de escolha O candidato deixa de ser apenas algu m que envia um curr culo e passa a ser alvo de estrat gias de atra o Recrutar j n o significava apenas preencher vagas mas comunicar quem a organiza o era mdash ou dizia ser mdash como lugar de trabalho nbsp Anos primeira metade mdash dados automa o e o in cio...