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Edição #153 - Fevereiro 2026

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Editorial - Ed. 153 - Contratação Consciente

Querido(a) leitor(a),

a edição 152 foi um convite à maturidade. Falamos sobre demissão. Sobre o fim. Sobre o momento em que a relação de trabalho deixa de fazer sentido, ou deixa de ser sustentável. Não romantizamos rupturas. Não as tratamos como fracasso. Tratamos como consequência. 

E, se tivemos a coragem de olhar para o desligamento com honestidade, seria incoerente não olhar agora para o início.

A edição 153 nasce dessa continuidade. Se demitir é um ato carregado de impacto humano, contratar é um ato carregado de responsabilidade histórica. Não é apenas preencher uma vaga. É decidir que tipo de cultura será reforçada. Que tipo de convivência será estimulada. Que tipo de futuro será construído.

Andrea Fuks e Suzan Dias Koike, que já haviam participado da coordenação do dossiê dobre “Demissão Humaniza” ao lado de Mônica Viveiros Correia, ficaram entusiasmadas em fazer a coordenação deste, e o título que escolheram é bem oportuno: Contratação Consciente.

Depois de refletirmos sobre o término, olhamos agora para o começo. Porque muitas das demissões que analisamos na edição anterior nascem, lá atrás, de contratações feitas sem lucidez, sem alinhamento, sem conversa madura sobre expectativas, valores e limites.

Elas convidaram um super time para nos trazer reflexões sobre os mais variados aspectos que envolvem e impactam os processos de Contratação.

No texto de apresentação do dossiê, Andrea Fuks costura as contribuições dos autores como diferentes lentes sobre a mesma responsabilidade: contratar é decidir o futuro. Jacqueline nos lembra que cada escolha reforça — ou transforma — a cultura que desejamos construir. Genésio confronta a distância entre discurso e prática, especialmente quando o etarismo e a superficialidade dos processos revelam incoerências silenciosas. Andréa Cury Waslander destaca que a contratação é talvez o ato mais estratégico do RH, pois molda identidade, reputação e direção organizacional. Rafael Bertoni problematiza o uso da inteligência artificial, alertando para o risco de terceirizarmos a responsabilidade de decidir sobre pessoas. Gislaine evidencia que ignorar diferenças geracionais é produzir desalinhamento desde a origem. Guilherme humaniza o debate ao mostrar, com coragem, como vieses atravessam até líderes bem-intencionados. E, ao ampliar o olhar para o setor público, eu também escrevo, e reforço que mérito técnico não substitui maturidade relacional nem garante sentido no trabalho. Ao final, o que emerge é claro: contratação consciente não é técnica isolada, é uma construção, é estudo, é desenvolvimento, é maturidade, é postura ética diante da complexidade humana.

Contratar não é neutro. Nunca foi.

Decidir sobre pessoas é decidir sobre poder, sobre sentido, sobre o tipo de cultura queremos construir, sobre ética e sobre legado.

Em tempos em que as IAs passam a participar dos processos seletivos, precisamos lembrar de suas limitações, e uma delas, com certeza a principal, ela não é humana, portanto, incapaz de captar as sutilezas que um(a) experiente profissional de seleção vê com nitidez. Gosto muito do que o neurocientista brasileiro Miguel NIcolelis sempre diz sobre a IA: ela não é nem inteligente, nem artificial. Ele argumenta que sistemas de IA, como redes neurais, funcionam por meio de cálculos matemáticos e algoritmos de aprendizado. Eles não “entendem” o mundo nem possuem percepção consciente, como seres humanos. Apenas lidam com dados de uma forma muito eficiente, que nos encanta.

E é exatamente esta percepção humana, que precisa ser trabalhada, desenvolvida. A parte lógica e racional é apenas parte do processo. Quanto mais nos desenvolvemos enquanto pessoas, ser humano, maior será nossa sensibilidade para lidar com temas tão importantes como contratação e demissão.

Este dossiê percorre, principalmente, o setor privado, a liderança, a diversidade geracional, os vieses inconscientes, o apoio importante da inteligência artificial e também o setor público, onde o mérito técnico do concurso, embora essencial, não dá conta da complexidade relacional que o trabalho exige, causando uma cascata de efeitos tão típicos do setor público.


Mas esta edição também marca movimentos importantes na revista.

Recebemos oficialmente três novas colunas que ampliam nosso campo de reflexão.

Calebe Luo estreia a coluna “Consultor Empreendedor”, trazendo logo no primeiro artigo uma verdade que incomoda e liberta: ninguém quer seus serviços, as pessoas querem resultados. Ele traz lucidez estratégica para quem empreende no desenvolvimento humano, seja consultor, coach ou , mentor, sem abrir mão da ética.

João Francisco de Oliveira Lobato, amigo admirado há 28 anos, chega com a coluna “A Falsa Neutralidade do Cotidiano”, abrindo um debate profundo sobre formação, poder, democracia e os efeitos invisíveis das estruturas sobre o comportamento coletivo. É um texto que nos tira do conforto.

Carlos Legal inaugura o provocativo “PQP – Pra Quem Pensa”, e já começa enfrentando a liderança tóxica, a NR-1 e a responsabilidade ética do RH. Não é um texto para agradar. É um texto para acordar.


E, ao mesmo tempo em que celebramos chegadas, também nos despedimos.

Rosa Krausz encerra sua coluna Observatório do Coaching após 67 artigos na coluna e 85 textos publicados ao longo de 13 anos de revista.

Falar de Rosa é falar da história do Coaching Executivo no Brasil, e da minha própria formação. Rigor técnico. Elegância conceitual. Profundidade. Generosidade intelectual. Sua contribuição ultrapassa páginas; ela ajudou a formar pensamento.

Há despedidas que não representam ausência, mas legado. Nossa gratidão imensa Rosa.


Assim, a edição 153 não é apenas uma sequência editorial. É uma afirmação de coerência. Se olhamos para o fim com responsabilidade, precisamos olhar para o começo com consciência.

Contratar é um gesto estratégico.

É também um gesto ético.

E talvez a pergunta que fique para todos nós, líderes, RHs, coaches, gestores públicos e privados seja simples, e desconfortável:

Quando escolhemos alguém, quem estamos escolhendo nos tornar?

 

Com meu abraço fraterno,

Luciano Lannes Editor da Revista Coaching Brasil



Artigo publicado em 13/02/2026
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