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Edição #94 - Março 2021

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Responsabilidade Social: o olhar de quem cuida

Só há uma norma pela qual uma época pode ser justamente julgada: em que medida ela permitiu o desenvolvimento da dignidade humana?

Romano Guardini


Assim como toda empresa é mais que uma atividade econômica, é, antes de tudo uma atividade dirigida por pessoas a serviço da sociedade, entendo que toda profissão – seja ela qual for -, carrega em si uma responsabilidade social.

O sentido da nossa existência está vinculado à capacidade de nos compreendermos inseridos em uma grande teia, onde tudo está interligado. Essa consciência possibilita compreender melhor a conexão com o outro e com a comunidade onde estamos inseridos e nos convoca para uma consciência ainda mais ampla: a planetária, de que todos participamos de um destino comum e habitamos uma mesma e única casa.

Sabemos que a nossa ação será sempre localizada, mas a repercussão dela terá sempre dimensões planetárias. As nossas ações não são fatos isolados e sempre terão efeitos na vida de todos. Afetamos e somos afetados o tempo todo. É como aquele lema: “mexeu com um / uma, mexeu com todos / todas.”

Nesse tempo em que as organizações (ou seja, seus dirigentes), ainda que pressionadas, se despertam e procuram agir em nome da responsabilidade social, que, em última instância, deve ser entendida como o cuidado para com a vida, é preciso lembrar a todo momento a nossa própria responsabilidade como indivíduos, seres relacionais que somos e cidadãos desse mundo, com uma missão indelegável de cuidar do que é mais importante.

Como nessa estória, de autor desconhecido, que transcrevi em meu livro Precisa-se (de) Ser Humano (Ed. Vozes):

Era uma vez um jovem que recebeu do rei a tarefa de levar uma mensagem e alguns diamantes a um outro rei de uma terra distante. Recebeu também o melhor cavalo do reino para levá-lo na jornada.

- Cuida do mais importante e cumprirás a missão! Disse o soberano ao se despedir.

Assim, o jovem preparou o seu alforje, escondeu a mensagem na bainha da calça e colocou as pedras numa bolsa de c ouro amarrada à cintura, sob as vestes

Pela manhã, bem cedo, sumiu no horizonte. E não pensava sequer em falhar. Queria que todo o reino soubesse que era um nobre e valente rapaz, pronto para desposar a princesa. Aliás, esse era o seu sonho e parecia que a princesa correspondia às suas esperanças.

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