Introdução
Nas organizações contemporâneas, “ter atitude” tornou-se uma obrigação e um mantra corriqueiramente repetido por líderes, mentores, coaches, trainers, consultores, psicólogos e profissionais de RH. É comum escutar que o diferencial de um profissional não está apenas no conhecimento técnico, mas principalmente em sua atitude: em como se posiciona, como reage às adversidades, como toma iniciativa. Boa parte das abordagens modernas em gestão e comportamento organizacional reforça essa ideia.
A Teoria da Ação Racional (Fishbein e Ajzen), por exemplo, entende atitude como um determinante das intenções, que por sua vez predizem o comportamento. Já a Teoria do Comportamento Planejado (Ajzen) adiciona o fator do controle percebido, mas ainda assim mantém o foco na atitude como um antecedente da ação. A Teoria da Dissonância Cognitiva (Festinger) e a Teoria Social Cognitiva (Bandura), apesar de explorarem conflitos entre pensamento e conduta ou o aprendizado por observação, também partem da atitude como propulsora de ação.
Em outras palavras: na maioria das abordagens modernas, atitude virou sinônimo de movimento, iniciativa e entrega, e isso tem influenciado o pensamento e trabalho de diferentes agentes organizacionais no dia a dia.
Essa associação direta entre atitude e ação moldou, por exemplo, a maneira como organizações contratam, avaliam e desenvolvem pessoas. Um colaborador com “atitude” é geralmente aquele que “faz acontecer”. Quantas vezes já escutamos essa frase, no entanto, essa visão levanta uma provocação importante: se ter atitude é a solução, qual exatamente é o problema que estamos tentando resolver quando pessoas com atitude não atingem os resultados esperados? Talvez o problema esteja justamente em reduzirmos a atitude à ação.
Afinal, agir sem reflexão pode levar ao caos tanto quanto não agir. Ter vontade de fazer não é suficiente, é preciso saber o que deve ser feito, por que deve ser feito e com que valores se deve agir. É aqui que o discurso moderno se mostra incompleto e incoerente com a prática. Pouco adianta promover o ímpeto da ação se não houver razão, ética e direção orientando esse movimento.