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Edição #91 - Dezembro 2020

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O xadrez e a vida: uma visão além do jogo

“O xadrez é a vida em miniatura”

Garry Kasparov.


Qual o grau de relevância das visões estratégica e sistêmica para o desenvolvimento de pessoas e organizações? E como um jogo milenar pode se relacionar com elas?

O xadrez, reconhecido como um dos principais jogos de estratégia, é uma batalha mental na qual dois jogadores se enfrentam visando um objetivo: o xeque-mate. O fim da partida ocorre quando um dos reis é atacado de modo que ele não tenha nenhuma forma de se defender. A quantidade de possibilidades para se alcançar o xeque-mate não pode ser calculada nem mesmo pelos melhores computadores da atualidade. No entanto, aprender as regras para jogar as primeiras partidas é algo relativamente fácil.

A partir desse aprendizado básico, o jogador, chamado de enxadrista, pode optar por um processo de melhoria contínua em relação à assimilação das estratégias e táticas mais promissoras. Assim como ocorre em outras áreas, a dedicação é o principal fio condutor em direção à maestria.

Ao contrário do que muitos imaginam, não há uma estratégia vencedora e absolutamente eficaz para se chegar ao xeque-mate. Para que esse objetivo seja alcançado, é fundamental se avaliar os planos do adversário e estipular metas intermediárias em busca de melhorar o posicionamento das próprias peças, controlar certas áreas do campo de batalha, neutralizar forças do oponente ou proteger o próprio rei.

A sinergia entre as peças é um dos elementos a serem avaliados pelo jogador, para que elas somem forças para atacar um mesmo ponto ou defendam-se umas às outras. Em equipes, é a harmonia entre as pessoas para agirem em consonância para o alcance de um objetivo. Assim, os elementos estratégicos do xadrez se refletem em diversas situações da vida e podem ser aplicados no campo pessoal ou até mesmo empresarial (SHITSUKA et al., 2004; NASCIMENTO, MENEZES, 2011).

Essa amplitude de similaridades inspirou inúmeros estudos sobre o tema. Um dos maiores expoentes a escreverem sobre o jogo de xadrez de maneira mais ampla foi Benjamin Franklin. Visionário, ele foi um diplomata, cientista e filósofo norte-americano. Foi ele quem soltou pipa sob a tempestade, a fim de fazer pesquisas sobre a eletricidade, o que deu origem ao para-raios. Franklin aprendeu xadrez já adulto, se encantou com o jogo e escreveu o ensaio “A moral do xadrez” no século XVIII. No estudo, ele abordou que por meio deste jogo era possível desenvolver principalmente quatro competências: previsão, circunspecção, precaução e perseverança.

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