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Edição #38 - Julho 2016

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E seguimos procrastinando...

Preguiça, o hábito que se contraiu de descansar antes da fadiga.
Jules Renard

“Joana tinha um importante projeto que, se causasse uma boa impressão na diretoria, poderia lhe render uma promoção na carreira. Ela tinha trin­ta dias de prazo para preparar tudo. Pensou em como seria bacana se con­seguisse o novo cargo que ela alme­java há tanto tempo e que daria uma guinada em sua vida. Confiante, pen­sou: - tranquilo, tenho 30 dias para preparar tudo com calma!
Como o prazo estava distante, resol­veu deixar este fim de semana para descansar e começar no próximo...
Bem, 15 dias se passaram e Joana não iniciou seu trabalho. Pensou que ainda tinha prazo e, como estava mui­to cansada, foi ao cinema para rela­xar. Agora, há menos de 1 semana do prazo final, Joana começou a se preocupar porque o acúmulo de ati­vidades não estava deixando tempo livre para se dedicar ao projeto. Ela pensou: - dedicação integral; pos­so passar as noites trabalhando na apresentação...
Faltando um dia para a apresentação do projeto, Joana, sem dormir direito por várias noites, resolveu passar a noite em claro para preparar o pro­jeto. Estava quase amanhecendo, quando terminou tudo, mas cansa­da demais, dormiu em cima da mesa mesmo. Acordou assustada e atra­sada para a apresentação, derrubou café na blusa, não teve tempo de re­passar as ideias e saiu correndo para o trabalho.
Chegou atrasada, com o material de­sorganizado, com aparência desleixa­da e causou uma péssima impressão na diretoria, que acabou escolhendo outro projeto, que não era tão bom quanto o seu, mas foi bem apresen­tado e articulado, dando muito mais segurança aos diretores.
Joana ficou arrasada e pensou: - nun­ca mais deixarei as coisas para a úl­tima hora! De agora em diante farei tudo com bastante antecedência.
Como seu trabalho era bom, os dire­tores resolveram dar um novo prazo para Joana: 15 dias para nova apre­sentação. Ela ficou feliz e saiu pen­sando: vou começar agora mesmo... Bem agora não, vou primeiro ao sho­pping para relaxar e começarei ama­nhã...”

Você se reconhece nesta estória? Conhece alguém assim? O hábito de “deixar para amanhã” é mais comum do que podemos ima­ginar.

Aposto que pelo menos uma vez na vida você deixou para amanhã algo importante que poderia ser feito no momento; e depois ficou estres­sado porque o que era importante passou a ser urgente, com o prazo apertado e teve que fazer tudo às pressas.

Um dos maiores desperdiçadores de tempo, um grande vilão que nos impede de desenvolver todas as possibilidades, de alcançar objeti­vos, realizar sonhos: o terrível vício da procrastinação. E por que procrastinamos? Por que insistimos em deixar para amanhã aquilo que deveríamos fazer hoje?

Porque decidimos assim, equivo­cadamente... Nossas decisões são tomadas primeiramente no incons­ciente, e depois trazidas à consciên­cia, acompanhadas de uma justifica­tiva racional.

Segundo um estudo da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), o ato de escolher se divide em três etapas:

  • Seu cérebro decide o que você vai fazer;
  • Você toma consciência da decisão;
  • Você age de acordo com a decisão tomada.

Algumas decisões tomadas pelo cé­rebro não são informadas à nossa consciência. Por exemplo: quando decidimos nadar, a decisão é cons­ciente, mas, imediatamente o cére­bro assume o controle e coordena a ação de dezenas de músculos para que nademos. Não estamos cons­cientes de todas essas pequenas decisões. Executamos o ato de nadar automaticamente.

Decisões simples não exigem tanto esforço cerebral. Mas, as decisões complexas sim. Se todas as decisões tivessem de ser minuciosamente avaliadas pelo nosso cérebro viverí­amos com fadiga mental.

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