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Edição #33 - Fevereiro 2016

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A triste obrigação de parecer feliz...

Nada perturba mais minha felicidade do que a obrigação de ser feliz, porque é feio e fraco não sê-lo. Feliz de quem é bonito e forte.
Gutto Carrer Lima

Se um marciano chegasse à Terra hoje e fosse apresentado às redes sociais, algu­mas revistas e programas de celebrida­des, com certeza pensaria que este é um planeta com pessoas muito felizes e rea­lizadas. Esta ideia me veio à mente diversas vezes nos últimos meses quando passei a obser­var indícios de que há uma certa “cobran­ça” social por “parecermos” felizes e bem­-sucedidos o tempo todo. Interessante notar que trata-se de uma felicidade aparente e não necessariamen­te genuína. Temos que demonstrar que estamos bem e felizes a todo momento, ainda que não estejamos, sob pena de sermos criticados. Afinal, quem quer estar com pessoas de­primidas ou tristes? Parece-me que per­demos o direito a isso.

A busca da felicidade é talvez o maior cli­chê cultural que nos cerca, basta olhar a maioria das imagens das redes sociais, os livros de auto-ajuda, temas de palestras e cursos; todos afirmando que temos “obri­gação” de ser felizes e se não o somos, é por nossa própria responsabilidade.

A felicidade, muitas vezes, aparece asso­ciada a bens materiais. Se olharmos os co­merciais, veremos que se você tiver, ou fizer, isso ou aquilo, será feliz e fará sucesso... 

Já abordei este tema em uma edição an­terior e agora o retomo para propor uma reflexão sobre a exigência atual de pare­cermos felizes. Falar sobre tal tema é tarefa desafiado­ra, polêmica e inevitavelmente imprecisa, porque a felicidade deve ser vivida e, por­tanto, difícil de descrever ou demonstrar.

Estava eu em um sítio, contemplando o vai e vem dos quero-queros alimentando seus filhotes, numa imensidão verde e azul, embevecida com aquele momento ímpar de felicidade e paz. Havia uma festa na piscina, com música alta, bebida e mui­tas risadas. Um amigo veio me perguntar por quê eu não estava me divertindo?! Por quê estava triste ali sentada sozinha?! Ex­pliquei que estava contemplando a natu­reza e que isto me fazia feliz, já que moro na capital paulista e tenho menos oportu­nidade de apreciar a natureza, o silêncio, a calma harmonia das coisas naturais. Ele me lançou um olhar estranho, afastou-se e disse aos demais que eu devia estar com depressão...

Este episódio me fez refletir sobre como é difícil demonstrar aos outros sua felicidade, exceto se a demonstração seguir o rito pa­drão... Fazer um selfie sorrindo com a cerve­ja na mão. Perdoem-me o clichê.

Hoje não basta se sentir feliz; é preciso que os outros ratifiquem sua felicidade por sinais exteriores convencionais e típicos (como se isso fosse possível). Se quisermos saber se alguém está feliz é preciso identificar algumas características que identifiquem a felicidade na pessoa; como meu amigo não identificou sinais típi­cos de felicidade em mim, diagnosticou-me, de imediato, com depressão.

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