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Edição #28 - Setembro 2015

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Coach em Saúde e Bem-Estar: onde estamos e para onde vamos?

Recentemente, tem se falado mais sobre o coaching em saúde e bem-estar, mas o que realmente é esta modalidade de co­aching? Do que estamos falando? A quem se aplica? Qual o tipo de formação neces­sária? São dúvidas comuns e extrema­mente pertinentes. A ideia deste artigo é compartilhar um pouco acerca destas origens, bem como esclarecer sobre as possibilidades e recursos que o coaching em Saúde e Bem-Estar podem propor­cionar para os profissionais que desejam atuar nesta área e para os clientes que se beneficiam deste processo.

O coaching em saúde e bem-estar (tam­bém chamado de health coaching e/ou we­llness coaching) é uma abordagem voltada ao desenvolvimento de recursos de auto­cuidado para gerenciar doenças crônicas e/ou modificar o estilo de vida de modo a melhorar seu estado de saúde e bem-estar.

Nas últimas duas décadas, esta modalida­de de coaching ganhou espaço significa­tivo no suporte de tratamentos médicos e é de ampla utilização nos Estados Uni­dos, tanto por pessoas físicas como atra­vés dos planos de saúde e seguradoras.

Em função dos diferentes formatos de co­aching praticados, da dificuldade de con­senso e de padronização para publicação de evidências científicas, foi formado o “Na­tional Consortium for Credentialing Health & Wellness Coaches – NCCHWC”. No início de 2010, as co-fundadoras do NCCHWC, Karen Lawson e Margaret Moore montaram uma equipe de 14 líderes voluntários, dedicados à missão de criar normas nacionais de cer­tificação de coaches de saúde e bem-estar, sendo este um marco importante na profis­sionalização e do aumento em escala de um campo profissional baseado em evidências.

Desde então, o consórcio vem pu­blicando consensos e diretrizes para uma certificação nacional que terá início em 2016. Esta ação agrega valor às boas formações de coaching em saúde e efetivamente contribui na construção de dire­trizes para uma prática profissio­nal séria e baseada em evidências. Além da certificação de coaches, o consórcio está estabelecendo cri­térios de acreditação para escolas de formação de coaching que irão contribuir para valorizar as forma­ções de qualidade, com processos educativos consistentes, referen­cial teórico adequado, estágios su­pervisionados, etc.

No Brasil, as formações específicas começaram em 2011, com a vinda de duas das grandes escolas ame­ricanas, e a partir de então, come­çamos a ouvir sobre esta modali­dade, ainda em pequena escala. Mais recentemente, com mudanças nas composições societárias de grandes seguradoras de saúde no Brasil, começamos a ouvir o ter­mo “health coaching” acontecendo junto com programas de ligações ativas das seguradoras para os clientes de maior utilização do pla­no, doentes crônicos ou de maior perfil de risco em saúde. Começa­mos então a nos deparar mais di­retamente com os diferentes for­matos, protocolos e abordagens do coaching em saúde e bem-estar no Brasil.

Wolever e outros pesquisadores publicaram em 2013 uma revisão analisando as definições operacio­nais do coaching em saúde e bem­-estar publicadas na literatura mé­dica e em revistas com revisão de pares. Seu trabalho aponta para o histórico de definições de coaching em saúde e bem-estar e apresenta como referência atual a definição do NCCHWC:

“Coaches em Saúde e Bem­-Estar são profissionais de diferentes backgrounds e formações que trabalham com indivíduos e grupos em um processo centrado no cliente, no sentido de facilitar e empoderar o cliente para que alcance metas auto estabelecidas relacionadas à saúde e bem-estar. O processo de coaching que tem sucesso acontece quando o Coach aplica um conhecimento e habilidades claramente específicos de modo que o cliente mobiliza forças pessoais internas e recur­sos externos para mudan­ças sustentáveis.”

Esta definição começa a nos trazer a compreensão sobre a atuação deste profissional e orienta como diferencial, o estabelecimento de metas relacionadas à saúde e bem-estar. No entanto, não escla­rece sobre a prática, as estratégias utilizadas, os métodos de entrega deste serviço, etc. Na literatura científica é crescente o número de artigos que têm health ou wellness coaching como intervenção e ob­jeto de estudo, e a diversidade de protocolos de intervenção vão de: abordagens sem nenhum contato humano (apps e web) ao contato semanal presencial; abordagens que incluem aspectos educativos e de orientação ao cliente a abor­dagens nas quais a descoberta e aprendizagem é 100% responsabi­lidade do cliente. Como saber qual metodologia apresenta maior efe­tividade e provoca mudanças sus­tentáveis, de longo prazo?

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