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Edição #21 - Fevereiro 2015

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BLOQUEIO NA LINGUAGEM DA EMOÇÃO: Não posso, não sei ou não quero expressar?

Felipe, um menino com três anos de idade, depois de dis­cutir com o primo por causa do uso de um brinquedo que am­bos queriam, e não conseguin­do apoio dos adultos na sala de estar, entocou-se no quarto. Era um dia festivo e a casa estava cheia de parentes e amigos, e pri­mos seus de idade próxima. Na sala havia um lanche delicioso sobre a mesa, sorrisos, conversas e brincadeiras, mas Felipe man­teve-se emburrado dentro do quarto por algumas horas. Notando sua ausência, uma de suas tias foi até ele e, vendo-o sentado na cama sozinho de bra­ços cruzados, com face vermelha e fazendo beicinho, lhe fez a se­guinte pergunta: “- O que você está sentindo, meu querido?” A resposta do garoto foi: “- Eu não sei não. Não sei o nome disso, tia.” E permaneceu com cara de zangado.

Imagina-se que dar nome a uma emoção, uma sensação ou um sentimento, seja para nós, adultos, mais fácil que para um garoto tão pequeno. Contudo, nós que já somos bem crescidos, também nos vemos costumeiramente com dificuldades nesse âmbito.

Tristeza, raiva, alegria, medo, dor, decepção, cansaço e impaciência, por exemplo, são palavras com as quais procuramos expressar os afetos que sentimos e, no mo­mento em que os classificamos, podemos começar um processo de compreensão dos nossos es­tados interiores. Reconhecer e nomear já pode representar um caminho para uma mudança. Não saber ou não conseguir ver­balizar os nomes desses afetos pode ser uma espécie de blo­queio que dificulta a administra­ção do seu dinamismo em nós.

Quando alguém procura um co­ach, traz questões relacionadas à sua emocionalidade mesmo que não saiba nominá-las. E embora não seja uma das linhas de tra­balho da maioria dos profissio­nais de coaching, quase todas as questões dos clientes têm repercussões no âmbito das emoções, podendo represen­tar uma porta para que eles possam parir suas soluções.

Um caso elucidativo

Um coachee buscava obter maior organização no sentido da ampliação da sua empresa. Essa era inicialmente a sua de­manda: aumentar rendimen­tos a partir da extensão do es­pectro de suas atividades. Curiosamente, só após três ses­sões, chegamos àquilo que mais o incomodava: administrar as emoções desencontradas em relação ao seu filho, que era um dos seus colaboradores, e cujo profissionalismo ele questiona­va. “- Se eu aumentar as responsa­bilidades dele,”- confessou – “- ele terá mais trabalho com o aumen­to do número de clientes e a qua­lidade do serviço ficará compro­metida. Como eu vou dizer a ele que não confio em seu trabalho? Como vou falar que me sinto triste com sua inépcia e sua incompetência? Ele é meu fi­lho e eu o amo.”
Percebendo os bloqueios que esse coachee tinha para falar so­bre essas emoções comigo, imagi­nei o quão difícil era para ele ex­pressar esses afetos para o filho.

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