"É possível mudar nossas vidas e a atitude daqueles que nos cercam simplesmente mudando a nós mesmos" - Rudolf Dreikurs
Desde criança eu tinha uma ambição, mas não era uma ambição em possuir isso ou aquilo, mas uma ambição em ser alguém que tivesse algo a dizer e que as pessoas quisessem ouvir. Me pergunto quando e onde isso surgiu e só consigo pensar que talvez tenha sido fruto de uma conjunção de fatores, dentre eles de ter dito uma mãe que assim como muitas de sua geração, renunciou sua realização pessoal para cuidar de todos, menos dela. Também sempre tive enorme admiração pelo conhecimento e ouvir e aprender com as pessoas que se tornavam relevantes em suas áreas sempre foi uma enorme motivação para mim. Acredito que dentre outras, essas foram sementes que nutriram dentro de mim uma ambição por me tornar alguém que tivesse voz, talvez espaço, talvez relevância e que pudesse deixar um rastro de sentido em quem me escutasse.
Cresci percebendo que o mundo era mais generoso com os que falavam alto, com segurança, mesmo quando não tinham tanto a dizer e se afastavam da verdade. Percebi ainda que muito pouco espaço de voz para aqueles que faziam muito e realmente produziam os resultados, mas que não desfrutavam de espaços de poder.
Vivenciei menos espaço para as mulheres falarem e serem ouvidas. Tive que mostrar mais, me esforçar mais, provar mais, suportar mais. Tive que ser firme, clara, muitas vezes incisiva, dura, para conseguir o meu espaço.