Esta é uma teoria desenvolvida por Chris Argyris e sustenta que construímos crenças com base nas conclusões que tiramos das interpretações do que observamos do mundo exterior.
Como nos alerta também Humberto Maturana,
...você constrói o seu mundo. O mundo todo só se faz a partir de você. Nada que te acontece é externo a você. Nada existe em um mundo externo a você....
Assim, o mundo que construímos está baseado naquilo que acreditamos e o que acreditamos é fruto de uma construção. Esta construção pode ser baseada em lógica ou não. O caso que vamos abordar nesta postagem é quando existe uma lógica interna para construirmos uma crença. Também podemos adotar crenças sem a necessidade de comprovações. Este é o caso da fé, onde não exigimos provas ou testes. Neste caso trata-se das crenças que vêm da Fé.
Fé (do Latim fide) é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia ou fonte de transmissão.
Extraído da Wikiédia
As crenças baseadas em construções são muito bem explicadas pela teoria de Argyris, que tem seis elementos:
1 - o universo nos apresenta uma variedade quase infinita de dados para análise. Temos nossos sentidos que captam apenas uma pequeníssima parte destes sinais. Quando estamos conversando com uma pessoa, captamos além da fala desta pessoa, suas expressões faciais, gesticulações e posturas, sua vestimenta também é observada, assim como o ambiente onde esta conversa ocorre. De todos estes elementos, uma pequena parte chega até nossa percepção.
2 - de tudo o que percebemos, selecionamos dados e informações que consideramos importantes para a análise do que está acontecendo. Estes filtros e peneiras que colocamos para separar o "joio do trigo" já são fruto de nossos modelos mentais, que já contêm crenças anteriores.
3 - aos dados que selecionamos, adicionamos significados, novamente com base em nossos condicionamentos, crenças, vivências, experiências que colecionamos ao longo da vida. Os significados que adicionamos são em grande parte da cultura na qual estamos imersos, e assim, perdemos a capacidade de questionamento pois a cultura de cada povo é óbvia para cada integrante: é assim que funcionamos e pronto. Mais do que um processo consciente de atribuir significado a algo, aqui o caso é o de absorver um significado.
4 - a partir destes dados, agora coloridos com nossos significados, criamos pressupostos que façam sentido.
5 - dos pressupostos tiramos conclusões.
6 - as conclusões, conforme vão sendo confirmadas pela vivência, vão sedimentando e se transformando em crenças.
A partir daí, agimos de acordo com nossas crenças.
Em um processo de Coaching, onde estamos sendo espelho para que nosso cliente veja as crenças que estão determinando e guiando suas ações, torna-se fundamental guiar nosso cliente no processo de "engenharia reversa" da crença. É fazer o caminho inverso mesmo. Da crença voltar para as conclusões. Para questionar as conclusões, precisamos verificar quais os pressupostos que as sustentam. Então, quais os significados com os quais colorimos os dados que utilizamos. E por fim, por que selecionamos estes dados e não outros, e quais outros modelos ou crenças que influenciam nosso olhar.
Simples? Sim e não. Estruturado desta forma, este processo ganha sentido e nos permite atravessar a floresta das crenças com uma bússola e uma lanterna, que nos orienta e ilumina o caminho.
Veja nossa postagem "porque você acredita no que acredita" para mais informações e leia nosso dossiê sobre Crenças que publicamos na edição 56.
Deixe seu comentário abaixo, compartilhe esta postagem com quem julgue também fazer bom proveito dele.
Consulte nosso plano de assinatura da Revista Coaching Brasil para ter acesso total ao mais rico acervo de artigos sobre Coaching em língua portuguesa.
Grande Abraço,
Luciano Lannes
Editor